Em reunião com o mercado na ExpertXP, presdidente do BC disse que nada diria
5 de agosto de 2026
Francisco Carlos de Assis
Gabriel Galípolo deu, sim, um guidance à plateia que lotou a plenária da Expert XP na manhã de 24 de julho. Só não foi o guidance que ela queria.
Dono de uma oratória afiada, Galípolo abriu dizendo que não falaria sobre o que todos estavam ali para ouvir. Em bom português, algo entre “quem avisa amigo é” e “não diga que não te avisei”.
Ele elogiou o evento, disse que a autoridade monetária gosta de estar presente e reconheceu o óbvio: investidores e economistas queriam um sinal sobre política monetária.
Aí veio o recado. Galípolo lembrou o encontro de bancos centrais em Sintra, em Portugal, organizado pelo Banco Central Europeu (BCE), de 29 de junho a 1º de julho. Descreveu uma mesa com os dirigentes dos bancos centrais dos Estados Unidos, do Canadá e da Inglaterra, além da presidente do BCE, Christine Lagarde, todos entrevistados por uma jornalista.
Segundo ele, foram duas horas de perguntas tentando arrancar o que poderia acontecer na próxima reunião e duas horas de respostas que não respondiam. Um “bullet time” ao estilo Matrix: de um lado, questões “atiradas”; do outro, autoridades monetárias “se abaixando” para desviar de qualquer frase que parecesse indicação do futuro.
“Infelizmente, a gente está mais restritivo e vocês vão ver isso daqui a pouco”, afirmou. Dito isso, passou a apresentar sondagens do Banco Central sobre percepções e expectativas dos agentes econômicos.
O guidance, no fim, já tinha sido entregue no começo: não haveria guidance. Quem avisa amigo é. Quem queria pista, que anotasse o aviso.
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