Comparações com o caso do Banco Master ainda são inevitáveis, mesmo que em outros setores. Saiba mais
22 de maio de 2026
André Marinho
O evento no Rio Janeiro era para discutir o mercado de resseguros, mas nos corredores do centro de convenções o nome de uma seguradora dominava as rodas de conversa dos executivos do setor. Logo na manhã do primeiro dia da conferência, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) decretou a liquidação extrajudicial da Infinite, que se apresentava como especialista no seguro garantia. A medida não foi exatamente uma surpresa, porque a autarquia já estava no encalço da empresa há algum tempo. Mesmo assim, a pergunta que ecoava entre os agentes da indústria era uma só: quem vai absorver as garantias dos agora ex-clientes da seguradora?
A analogia com o Banco Master, cujo colapso ainda gera dores de cabeça no sistema bancário meses após a liquidação pelo Banco Central, foi verbalizada por um experiente profissional da área. Assim como na instituição financeira de Daniel Vorcaro, a Infinite é suspeita de ter conduzido operações contábeis irregulares. Para dizer o mínimo.
Os paralelos para por aí. A Infinite era uma seguradora relativamente pequena, com sede em Goiás, e tinha uma atuação mais focada em uma linha. Desde que entrou no radar da Susep, em meados do ano passado, a empresa já vinha repelindo potenciais negócios com pares, cautelosos para não se envolver na situação.
Por sorte, o setor segurador está muito bem capitalizado e deve ser capaz de absorver pelo menos uma parte da carteira da Infinite. A chance de uma nova quebra é vista como remota. O mercado está alerta, mas nem de longe em pânico.
O foco de incerteza é de ordem indireta. Depois de várias décadas de marasmo, o seguro garantia começou a decolar nos últimos anos, puxado pelas operações vinculadas a processos judiciais. A queda da Infinite ameaça encerrar -ou ao menos esfriar – a festa. É que os potenciais clientes vão pensar duas vezes antes de buscar qualquer veículo para suas garantias. Quem mais sofre são as pequenas, que terão que fazer um trabalho mais pesado para convencer o público de que nem todo é a mesma coisa.
Aqui sim, a comparação com o Master se sustenta: depois da crise envolvendo os CDBs do banco, investidores passaram a olhar com mais desconfiança até para instituições sem qualquer relação com o episódio, elevando o custo reputacional para todo o mercado.
Mais do que de segurança, o risco é de imagem.