Presença das mulheres é mais tímida no mercado financeiro tradicional que no digital
28 de agosto de 2026
Existe o mercado financeiro tradicional e existe o mercado de ativos digitais. São mundos diferentes, mas cada vez mais complementares e próximos. Quem cobre os dois, porém, percebe uma diferença que vai além de produtos, tecnologia e investimentos:quem ocupa os espaços de liderança.
Isso ficou evidente em dois eventos recentes: a Expert XP e o Blockchain.Rio.
Na Expert XP, um dos aspectos que mais chamou atenção foi justamente o que não estava presente: a baixa presença de mulheres em posições de liderança. A participação feminina era mais visível em áreas como marketing, assessoria de imprensa e ativações dos estandes, enquanto os principais painéis e espaços de decisão continuavam majoritariamente masculinos.
No Blockchain.Rio, a fotografia foi diferente. Entre as principais lideranças do evento estavam as presidentes das duas associações do setor cripto no Brasil, ABCripto e ABToken, com participação em painéis e discussões relevantes para o mercado. Lá foram mais de 121 mulheres marcando presença em todos os 11 palcos da programação e participaram de 67 dos 129 painéis realizados, o equivalente a aproximadamente 52% dos debates do evento.
Isso não significa que o setor cripto tenha resolvido o problema da representatividade. A presença feminina ainda é pequena no comando das empresas. Mas há uma diferença importante: um mercado novo parece ter mais espaço para novas lideranças do que um setor tradicional já consolidado.
Os dois eventos mostram, portanto, realidades diferentes de mercados que estão cada vez mais próximos. Enquanto o sistema financeiro tradicional começa a incorporar blockchain, tokenização e ativos digitais, o mercado cripto busca justamente se institucionalizar.
A questão é saber se, nessa convergência, os novos mercados conseguirão também construir uma estrutura de liderança diferente — ou se acabarão reproduzindo os mesmos padrões do sistema financeiro tradicional.