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E o Cury, hein?

Candidato que ganhou 2 milhões de seguidores em uma semana e bateu nos 10% das intenções voto desidratou e agora tem só 4%

29 de setembro de 2026, às 08:07

Isadora Duarte

“E o Cury, você viu?” Domingo, 30 de agosto, balcão de check-in do Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek. A conversa entre dois viajantes se repetiu na praça de alimentação e no portão de embarque. E a cena não se restringiu  ao aeroporto.

Um mês depois. A pergunta que à primeira vista parece banal ecoou novamente em um supermercado da capital federal. A mesma pergunta, um cenário oposto.

Há um mês, no salão de beleza, na farmácia, no supermercado, no escritório, na escola, todos se perguntavam sobre Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo Avante, diante do crescimento exponencial do candidato nas redes sociais. Cury ganhou 2 milhões de seguidores nas redes em uma semana. A origem do fenômeno ainda desperta dúvidas até mesmo entre os mais experientes marqueteiros e cientistas políticos. As campanhas dos adversários o acusaram de engajamento impulsionado. A equipe do candidato negou e disse se tratar de um movimento orgânico.

O candidato furou a bolha, causou um grande zum-zum nas redes, fora delas e chegou à fila do pão. Sem discussão de propostas, sem polêmicas, mas o suficiente para despertar a curiosidade do eleitor e alcançar 10% na pesquisa de intenção de voto para 1º turno da Quaest, de 2 de setembro. Agora, passada a enxurrada de vídeos nas redes, Cury desidratou e chegou a 4% na Quaest divulgada nesta segunda-feira e, segundo indicam as pesquisas, não deve passar do 1º turno.

Psiquiatra, autor de best sellers, o presidenciável é tido como o candidato outsider desta corrida eleitoral. Ele se apresenta como candidato da pacificação, criou a “Liga dos Pacificadores” e se opõe à polarização. Na última semana, afirmou que no 2º turno não vai apoiar nem Lula (PT) e nem Flávio Bolsonaro (PL).  

O derretimento do candidato não é isolado. A polarização e o acirramento das campanhas de Lula e Flávio levaram a uma queda dos chamados “alternativos” e ao movimento de voto útil já no 1º turno, encampado tanto pela campanha bolsonarista quanto pela candidatura petista. Também não é um movimento restrito a este pleito. Em outras disputas presidenciais, candidatos que despontavam em terceiro chegaram ao fim das urnas em quinto ou sexto lugar. Cury saiu da sexta posição para terceira, segue no mesmo posto, mas empatado com  o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Até onde vai esse fôlego é a “próxima vírgula a ser escrita”, como escreve o próprio candidato.

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