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A Muralha da China é logo alí

Keeta faz entregas na Muralha da China, mas não consegue chegar na Faria Lima

29 de julho de 2026

Julia Pestana e Mariana Ribas

Receber delivery de comida por drone já soa inovador – e, no Brasil, soa como ficção científica. Lá fora, porém, isso já acontece: tem drone cruzando até a Muralha da China para entregar comida aos turistas. Quem faz isso é a Meituan, gigante chinesa de tecnologia, com uma infraestrutura que processa cerca de 80 milhões de pedidos por dia.

Por aqui, a mesma tecnologia atende pelo nome de Keeta e tromba com um obstáculo bem menos futurista: a guerra do delivery. iFood e 99Food já trocavam cotoveladas antes mesmo de a chinesa pisar em terras brasileiras, mas, quando ela desembarcou no país tropical, encontrou um mercado ainda menos receptivo.

Poucos meses antes, a 99Food havia retomado as operações no Brasil e firmou contratos com cláusulas que impediam restaurantes parceiros de fazerem negócios com a Keeta. O resultado: expectativas de crescimento frustradas e o início de uma briga que as plataformas já mostraram não ter intenção de evitar.

Com pouco espaço para a recém-chegada crescer, a guerra saiu dos aplicativos e foi parar nos tribunais. A Keeta acionou a Justiça e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Antes de pensar em voar sobre o Brasil, a Keeta precisou entender que o desafio por aqui não estava na tecnologia, mas no direito concorrencial.

Não é à toa que um IPO no Brasil, por enquanto, não está nos planos da companhia, dizem interlocutores. Passar pela Muralha da China, pelo visto, foi a parte fácil. Difícil mesmo é chegar até a Faria Lima.