Com base na Lei da Ficha Limpa, TSE cassa a candidatura de José Roberto Arruda ao governo do DF
25 de setembro de 2026, às 08:07
“Eu sabia que a chance dele não ir era alta, mas era o único capaz de vencer a Celina”, foi o que me disse um motorista de aplicativo que trabalha no Distrito Federal e que tem, no vidro de trás do seu veículo, um adesivo com o rosto do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e o número dele na urna “55”. Agora, esses dois dígitos não serão de um postulante ao GDF, e sim anulados como qualquer outra combinação que não represente um candidato real ao comando da capital.
O motorista, insatisfeito, diz qual será a primeira atividade que vai fazer ao chegar em casa, após uma jornada de 12 horas de trabalho no aplicativo: “pegar um secador de cabelo e tirar esse adesivo do meu carro”. Questionado se aquele espaço será ocupado pelo material de outro nome que concorre ao GDF, ele responde de forma enfática: “Não, não quero saber mais de política”. Sua identidade será preservada, a pedido.
A reação deste motorista, que ironicamente me levava à coletiva chamada por Arruda para comentar o caso, é a mesma de uma parcela significativa do eleitorado do Distrito Federal que colocou as esperanças em uma candidatura que já nasceu respirando por aparelhos. Todos os brasilienses sabiam que Arruda, que deixou o governo do Distrito Federal mergulhado em um escândalo de corrupção em 2010, acumulou condenações e está inelegível até 2030, poderia não ir até o fim.
Arruda e a sua persistência em se lançar às urnas com a estratégia de “ver no que vai dar”, mesmo com a existência da Lei da Ficha Limpa, fazem com que os brasilienses vivam um déjà vu a cada ciclo. Em 2022, ele foi candidato a deputado federal, mas, também pela Lei da Ficha Limpa, viu os planos minguarem perante a Justiça Eleitoral.
Em 2014, ele também era candidato oposicionista ao governo do Distrito Federal e, condenado, teve a sua candidatura cassada pelo TSE, 24 dias antes do primeiro turno. Desta vez, restam dez dias e, diferente de 12 anos atrás, não há mais como lançar o nome de um apadrinhado aos 45 do segundo tempo para tentar governar o DF de forma indireta, prática comum na política distrital.
Ao receber a notícia de que a sua candidatura foi cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por 5 votos a 2, Arruda mandou um recado que, indiretamente, tinha como destinatário esse motorista de aplicativo: “Peço perdão por ter ido até o fim”.
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