Batalha entre os sócios é o tema do momento Whatsapp dos que habitam a Faria Lima
2 de setembro de 2026
A batalha entre os sócios da Oncoclínicas em torno de uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) bilionária é assunto quente nos bastidores da Faria Lima. No whatsapp dos que frequentam as rodas do dinheiro é indignação para todo o lado, mas ninguém quer dar o cara a tapa e apontar o dedo para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sinalizando somente “haver algo estranho”.
O fato é que, enquanto a companhia míngua, acionistas que oportunamente chegaram à companhia, como a Latache, que gradativamente construiu uma posição de destaque a partir 2025, desafiam o banco norte-americano Goldman Sachs e o fundo Centaurus, que entraram na companhia em 2015, a reconhecer uma OPA que pode movimentar um mínimo de R$ 11 bilhões. A cifra parece ser o ponto de partida, pelo o que veio na decisão do colegiado da CVM que autoriza a OPA. Mas o desfecho ainda não está selado e a briga jurídica entre as partes, que dura mais de um ano, promete se arrastar.
O tema é bastante técnico. Os pareceres dos membros do colegiado da CVM extensos e complicados para os que não gastarem algum tempo debruçados neles ou que não forem advogados. E na falta de leitura compreensível, o que resta ao grande público é a espuma, sobre a qual o mercado versa interpretações dramáticas, pouco resolutivas, que são rapidamente absorvidas em tom de espetáculo pela mídia.
O mercado, um ambiente de interesses antagônicos e que incentiva mexericos, sabe, no entanto, do que está falando. A espuma sobre a qual as mensagens rolam de lá para cá entre executivos no whatsapp não vem à toa. A CVM já produziu histórias pitorescas no ano passado, em decisão de seu colegiado envolvendo um pedido de OPA na Ambipar.
Depois de dois votos do colegiado contrário a uma OPA, o caso foi reaberto por um pedido de vista e a deliberação anterior foi suspensa. O caso levou à renúncia do então presidente da autarquia e a análise foi retomada três meses depois pelo presidente interino, quando então os votos foram pela não realização da OPA. O interino, que derrubou a OPA, se tornou o atual presidente da CVM.
O cheiro ficou ruim e o mercado vem demonstrando desconforto toda vez que situações complexas demanda o seu xerife. No caso da OPA da Oncoclínicas não está sendo diferente. No entanto, a comunicação velada que o mercado utiliza para expressar esse desconforto até agora apenas remete ao caso do Banco Master, assunto do qual todos fugiam, mas que circulava pela Faria Lima inteira e que, de um forma ou outra, todos sabiam.