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29 de outubro de 2026, às 07:41
A Shell anunciou que vai aumentar a recompra trimestral de ações para US$ 5 bilhões, após ver seus resultados dispararem, com lucro ajustado quase dobrando e forte avanço do fluxo de caixa. O desempenho foi impulsionado pelos preços elevados de petróleo e gás em meio ao conflito no Oriente Médio e por margens excepcionalmente altas de refino, num cenário de aperto histórico na oferta de combustíveis.
O lucro ajustado da gigante britânica de energia – indicador acompanhado de perto por excluir certos ajustes de preço de commodities e itens não recorrentes – subiu para US$ 10,81 bilhões no terceiro trimestre, ante US$ 5,43 bilhões no mesmo período do ano passado. Analistas projetavam US$ 10,33 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Vara Research.
Em julho, a Shell havia anunciado uma recompra de US$ 3 bilhões, após reduzir o ritmo em relação aos US$ 3,5 bilhões da primeira metade do ano.
O conflito no Oriente Médio manteve o petróleo acima de US$ 100 o barril e sustentou os preços do gás. Isso ocorreu apesar de soluções alternativas – como uso de oleodutos e transferências de carga entre navios – terem permitido que os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz voltassem aos níveis anteriores ao conflito. Ainda assim, um prêmio geopolítico continua embutido nas cotações, diante da incerteza sobre a evolução do conflito.
Na quarta-feira, o The Wall Street Journal informou que os EUA teriam alertado vários países árabes do Golfo para se prepararem para uma campanha militar curta e intensa após o fim das eleições de meio de mandato americanas, citando pessoas informadas sobre as conversas. A possibilidade de novas ações militares tende a manter os preços elevados e voláteis – um ambiente que também favorece as grandes mesas de trading da Shell, que seguiram com desempenho forte no trimestre.
As refinarias da Shell – onde o petróleo bruto é transformado em diesel, querosene de aviação e outros derivados – foram o principal destaque do terceiro trimestre. As margens de refino saltaram para um recorde de US$ 42 o barril, superando com folga os US$ 28,04 por barril registrados pouco após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, que abalou os mercados de energia.
Segundo a Wood Mackenzie, danos provocados por drones em refinarias russas e a redução da atividade de refino no Oriente Médio retiraram do mercado cerca de 6 milhões de barris por dia de capacidade. O aperto foi intensificado por restrições chinesas às exportações.
Na Europa, os preços do gás dispararam no trimestre, já que a região precisou substituir cargas perdidas do Oriente Médio, competindo com compradores asiáticos. Para empresas com instalações de GNL fora do Golfo, o movimento representou um ganho expressivo. A Shell, com operações de GNL no Canadá, Nigéria e Austrália, se beneficiou, com o lucro da unidade de gás integrado avançando para US$ 3,04 bilhões.
O impacto do conflito sobre a área de gás, porém, foi misto. Um dos principais ativos da companhia, a planta Pearl de gás para líquidos no Catar, foi alvo de ataque, e a produção ainda não foi retomada. Fonte: Dow Jones Newswires.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado
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