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Ritmo do governo para apontar ajuste fiscal pode reduzir pressão sobre ativos, avalia Blue3 Investimentos

27 de outubro de 2026, às 10:25

Por Jean Mendes

São Paulo, 27/10/2026 – A velocidade com que o governo demonstrar compromisso com o ajuste fiscal pode reduzir a reação dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no curto e médio prazo, a Blue3 Investimentos, que tem R$ 55 bilhões sob gestão em suas diferentes verticais.

Segundo relatório assinado pelo economista-chefe da Blue3, Roberto Simioni, um ajuste fiscal crível tende a melhorar a liquidez doméstica, contribuir para a desaceleração da inflação e favorecer o real. Já sinais de flexibilização fiscal podem elevar o prêmio de risco e manter os ativos brasileiros sob pressão.

Na avaliação de Simioni, a volatilidade apresentada pela bolsa no curto prazo ocorre, não necessariamente por uma rejeição automática ao governo, mas pela incerteza em torno da composição da equipe econômica, das prioridades entre a agenda social e o ajuste fiscal e da capacidade de aprovação de medidas no Congresso Nacional.

O câmbio, por sua vez, tende a permanecer sensível a sinais de flexibilização fiscal, enquanto os juros futuros podem incorporar uma trajetória de queda da taxa Selic mais lenta do que a esperada pelo mercado.

“O mercado financeiro já projetava Selic em torno de 12% ao final de 2027 e 10,50% em 2028, enquanto a Fitch [Ratings] vê a taxa terminando 2027 em 11,75% apenas se houver ajuste fiscal significativo. Isso sugere que a curva de juros não reage à vitória em si, mas à qualidade do pacote de transição, nomeações, meta fiscal, revisão de gastos e sinalização sobre salário mínimo, Bolsa Família, benefícios tributários e investimento público”, afirma o relatório.

“A vitória em segundo turno de Luiz Inácio Lula da Silva, para um quarto mandato, representa uma virada em relação ao resultado de duas semanas atrás e uma surpresa para muitos no mercado e no empresariado, não refletindo, de início, um choque econômico homogêneo”, diz o documento.

No início de 2027
Para o primeiro trimestre de 2027, a Troon prevê um Ibovespa volátil e dependente da credibilidade fiscal, dólar pressionado e juros longos sustentados, em um cenário de redução gradual das taxas de juros. O principal desafio, segundo a gestora, será transformar o compromisso declarado com a preservação do arcabouço fiscal em projeções e medidas consideradas críveis pelo mercado.

No relatório, o economista também aponta riscos políticos e institucionais que podem dificultar a execução da agenda econômica. Segundo a análise, um Congresso mais fragmentado e menos alinhado ao Planalto pode ampliar a paralisia reformista, dificultando a aprovação de medidas de ajuste e a transformação de compromissos fiscais em leis. Simioni também alerta para o risco de crises políticas se converterem em confrontos institucionais, elevando a incerteza, reduzindo o investimento e encarecendo o financiamento público.

Embora transferências de renda, crédito subsidiado e estímulos ao consumo possam impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) no curto prazo, a sustentação do crescimento dependerá de investimentos em infraestrutura, educação, inovação e segurança jurídica. Para a Troon, o desafio será conciliar proteção social e estímulos à atividade com produtividade e responsabilidade fiscal, evitando que o crescimento se limite a um ciclo temporário, seguido por gargalos de oferta e pressões inflacionárias.

Contato: jean.mendes@broadcast.com.br

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