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FGV/Pereira: É muito difícil haver uma virada na eleição, a não ser que haja uma hecatombe

5 de outubro de 2026, às 12:50

Por Alexandre Rocha

São Paulo, 04/10/2026 – O professor titular de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro, Carlos Pereira, avalia que o resultado do primeiro turno da eleição para presidente surpreendeu, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que uma eventual virada no segundo turno será “muito difícil”.

Para ele, houve uma “onda” na reta final semelhante à ocorrida em 2018 – quando o pai de Flávio, Jair Bolsonaro, ganhou a eleição para presidente -, embora algumas pesquisas tenham começado a identificar este movimento nos últimos dias.

“Desde a redemocratização, o 2º colocado no primeiro turno nunca conseguiu virar o jogo”, afirmou ele à Broadcast. “Foi surpreendente, as pesquisas davam empate técnico, mas não vantagem [para Flávio]”, acrescentou Pereira, que é também colunista do Estadão.

Ele diz que Flávio entra na disputa do segundo turno com vantagem, pois, além de ter vencido o primeiro, a maioria dos eleitores dos candidatos derrotados deve apoiar o senador. “Será muito difícil [uma virada], a não ser que ocorra uma hecatombe, apareça um escândalo envolvendo o Flávio maior do os que já aconteceram”, observou.

Ao comentar o grande número de aliados de Flávio que venceram eleições nos Estados e para o Senado, Pereira fala em “ventos de mudança” não só na esfera nacional, mas subnacional. “As pessoas querem mudanças, estão com fadiga do PT”, opinou.

Democracia

O professor avalia que a alternância de poder mostra a vitalidade da democracia brasileira, que “está consolidada”. Ele não acredita em risco para a democracia em caso de vitória de Flávio, pois “o multipartidarismo está consolidado” e quem ganhar terá que montar uma coalização para governar, até porque “o voto mediano ainda será dado pelo Centrão”

“Nesse cenário, a alternativa autocrática perde força”, ressaltou. “O Congresso ainda será fragmentado”, disse.

Se Lula vencer, segundo o Pereira, ele terá mais dificuldade para governar do que atualmente, dado o avanço da direita, mas ele não acredita que haverá uma crise de governabilidade.

Contato: alexandre.rocha@estadao.com

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