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5 de outubro de 2026, às 12:50
Por Alexandre Rocha
São Paulo, 04/10/2026 – O professor de Teoria Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Aldo Fornazieri, disse que os resultados do primeiro turno da eleição foram “uma derrota desastrosa para a esquerda e o governo” e que será muito difícil para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virar o quadro em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) até o segundo turno, embora não impossível.
“Foi uma derrota autoconstruída. O PT e o governo abdicaram da luta política contra o bolsonarismo. Terceirizaram essa luta para o Supremo Tribunal Federal (STF)”, destacou. Ao mesmo tempo, segundo ele, os bolsonaristas nunca abandonaram o enfrentamento, mesmo com a prisão do ex-presidente e pai de Flávio, Jair Bolsonaro.
Fornazieri acrescenta que o governo foi burocrático e tardou a acordar para o impacto de problemas como o custo de vida e o endividamento das famílias. “Só perceberam isso em 2026”, disse. Na mesma linha, o governo tratou da segurança pública pela via legislativa, sem enfrentamento de forma efetiva, e não chamou para si o combate à corrupção, “que é um tema que rende muito eleitoralmente”.
O professor qualificou a campanha petista como “medíocre na forma e no conteúdo” e disse que a campanha de Flávio foi “muito mais eficaz”, pois conseguiu transformar com rapidez acontecimentos negativos em positivos para a candidatura e até colocá-los no colo do governo, como os casos do INSS, do Banco Master e do cancelamento do debate da Globo.
Em sua avaliação, mesmo com as acusações que tem contra si, Flávio conseguiu se colocar como defensor do combate à corrupção. “O presidente do PT, Edinho Silva, deveria renunciar”, destacou. Para ele, o próprio partido e o governo trouxeram as notícias negativas para dentro da campanha, como a crise no STF, a alta do custo de vida e o endividamento, em vez de centrar fogo na defesa do governo e de suas realizações.
Fornazieri acrescentou que Lula e o PT subestimaram Flávio. Ele disse que não ficou surpreso com o resultado, pois já desconfiava que Flávio poderia chegar na frente no primeiro turno, por causa de um movimento político de última hora que as pesquisas não capturam.
Ele qualificou a eleição para o Senado também como um “desastre para a esquerda” e que a tendência é que a Câmara também se torne ainda mais conservadora.
Contato: alexandre.rocha@estadao.com
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