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Estudo aponta 10 tendências para o setor de energia até 2050, da IA a geração no espaço

28 de outubro de 2026, às 13:40

Por Denise Luna

Rio, 28/10/2026 – A expansão da inteligência artificial, a crescente demanda por eletricidade e o desafio de integrar diferentes fontes de energia estão acelerando transformações no setor energético global. Esses movimentos devem direcionar investimentos e políticas públicas até 2050, segundo o relatório 10 Energy Megatrends 2026, produzido pelo Energy Summit e pela MIT Technology Review Brasil, com apoio da Deloitte. O estudo reúne debates do Energy Summit Global 2026 e uma seleção de mais de 60 macrotendências tecnológicas e regulatórias.

De acordo com o levantamento, o uso da inteligência artificial no setor elétrico e as soluções de armazenamento e flexibilidade estão entre as tendências com impacto mais próximo, com horizonte de 2026 a 2028. Já iniciativas como a fusão nuclear e a geração de energia no espaço são apostas de longo prazo, com projeções para 2045 e 2050, respectivamente.

Entre as projeções, o relatório cita dados da Agência Internacional de Energia (IEA), segundo os quais o consumo de eletricidade dos data centers poderá ultrapassar 950 terawatts-hora (TWh) em 2030. O avanço da economia digital torna a disponibilidade de energia cada vez mais estratégica. Ao mesmo tempo, a própria inteligência artificial ganha espaço na previsão da geração de fontes renováveis e no planejamento e na operação das redes elétricas.

Para o CEO do Energy Summit, Hudson Mendonça, o setor entra em uma fase de convergência tecnológica. “A demanda por energia vai crescer junto com a inteligência artificial, a eletrificação, a digitalização e a reindustrialização. Isso exige adicionar soluções, combinar tecnologias e construir um sistema muito mais flexível, integrado e resiliente”, afirmou.

A análise, segundo o estudo, é guiada pelo conceito de “adição energética”, que prevê a incorporação de novas fontes, infraestruturas e modelos de negócio, e não apenas a substituição de uma matriz por outra.

As dez megatendências mapeadas incluem, além de IA e armazenamento, minerais críticos, robótica e “IA física” em óleo e gás – com potencial de aplicação no pré-sal -, soluções baseadas na natureza, biorrefinarias e combustíveis renováveis, infraestrutura para mobilidade elétrica e híbrida flex, hidrogênio verde marítimo e combustíveis sintéticos, além de fusão nuclear e energia no espaço.

Sobre a energia do espaço, o relatório avaliou que a geração solar em órbita e o desenvolvimento de microrreatores orbitais representam possibilidades ainda experimentais de produção e fornecimento de energia. De acordo com o estudo, a infraestrutura espacial e a capacidade científica brasileira podem criar oportunidades de participação nessas tecnologias de longo prazo.

O relatório também avalia a posição do Brasil e aponta vantagens como matriz elétrica com mais de 85% de participação renovável, biomassa, reservas minerais, experiência em operações offshore e infraestrutura portuária.

Avanço

Ao mesmo tempo, o texto ressalta que o País precisará avançar em regulação, financiamento, infraestrutura, pesquisa aplicada e capacidade industrial para transformar potencial em projetos, em um processo que, segundo o estudo, depende da coordenação entre governo, empresas, universidades, capital de risco e empreendedores.

“O Brasil aparece nessas tendências não por uma única vantagem, mas pela combinação de várias delas. Temos energia renovável, biomassa, recursos minerais, conhecimento acumulado no offshore e uma indústria capaz de desenvolver novas cadeias. O ponto central agora é transformar potencial em execução e fazer governo, empresas, academia, investidores e empreendedores avançarem na mesma direção”, explicou Mendonça.

Para a sócia-líder para a indústria de energia, recursos naturais e industriais da Deloitte, Patricia Muricy, as megatendências mostram que a transformação do setor energético será impulsionada pela convergência entre digitalização, novas fontes de energia, armazenamento, combustíveis de baixa emissão e tecnologias avançadas.

“Nesse contexto, a modernização das redes elétricas e dos sistemas de monitoramento e operação torna-se fundamental para garantir confiabilidade, eficiência e resiliência. A inteligência artificial terá papel decisivo ao ampliar a capacidade de previsão, otimização e tomada de decisão em um ecossistema cada vez mais integrado, dinâmico e orientado pela inovação”, disse Muricy.

O relatório conclui ainda que a próxima fase do setor energético será marcada não apenas pelo desenvolvimento de novas tecnologias, mas pela capacidade de integrá-las ao sistema existente. Nesse cenário, as decisões tomadas nos próximos anos poderão influenciar o posicionamento competitivo de empresas e países nas décadas seguintes.

contato: denise.luna@estadao.com

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