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Casas Bahia reduz estoque em 40,5% e quadro encolhe em 4,6 mil em agosto, diz perícia

6 de outubro de 2026, às 12:10

Por Júlia Pestana

São Paulo, 06/10/2026 – O laudo da perícia na Casas Bahia, determinada pela Justiça de São Paulo, apontou queda de 40,5% no valor dos estoques entre abril e agosto, áreas ociosas em parte da estrutura da empresa e redução de 4.647 pessoas no quadro de funcionários entre 3 e 28 de agosto.

O valor dos estoques caiu de R$ 3,18 bilhões, em abril, para R$ 1,89 bilhão em agosto. Em quantidade, a retração foi menor, de 25,2%, para 4,3 milhões de unidades. O valor médio por item também caiu 20,5% no período.

O número de trabalhadores passou de 29.737 em 3 de agosto para 25.090 no dia 28, uma redução de 15,6% (4.647). A perícia pondera que os dados não permitem saber quanto dessa queda corresponde a desligamentos, transferências ou outros tipos de movimentação.

As visitas feitas pela empresa ACFB Administração Judicial também encontraram áreas ociosas e estoques baixos em parte da estrutura logística. No centro de distribuição de Ribeirão Preto, por exemplo, a perícia identificou áreas desabastecidas e poucos funcionários. A unidade respondeu por apenas cerca de 0,01% dos itens movimentados pelos centros de distribuição no período analisado.

O cenário não se repete em toda a operação. Em Jundiaí, onde está o principal centro de distribuição do grupo, a perícia encontrou estoque elevado e movimentação intensa. A unidade concentra cerca de um terço de todos os itens movimentados e quase 30% da demanda mensal, atendendo 264 lojas.

Caixa pressionado

O laudo também mostra pressão sobre o caixa da companhia. Em agosto, o menor saldo estimado como disponível foi de R$ 29 milhões. A Casas Bahia projetava desembolsos médios de R$ 34,5 milhões por dia útil. Segundo a perícia, nesse menor saldo, os recursos não seriam suficientes para cobrir um dia de pagamentos.

Dois dias antes do pedido de recuperação judicial, apresentado em 16 de agosto, transferências feitas a partir de uma conta vinculada reduziram o saldo analisado pela perícia de R$ 295,5 milhões para R$ 92,9 milhões em um único dia.

Em uma simulação, a ACFB calculou que, caso houvesse retenção integral das entradas vinculadas, a Casas Bahia precisaria de um reforço de caixa entre R$ 212,7 milhões e R$ 257,1 milhões no momento mais crítico de um período de 30 dias.

A perícia também encontrou casos em que recursos de vendas foram direcionados diretamente a credores. Entre 25 e 31 de agosto, R$ 74,4 milhões saíram de uma conta vinculada para a Whirlpool.

Mesmo depois de a conta ser zerada, novos valores que entraram continuaram sendo repassados à fornecedora. A ACFB considerou relevante o impacto sobre a liquidez da companhia.

Apesar da pressão financeira e da redução observada em partes da operação, a perícia constatou que as atividades da Casas Bahia continuavam funcionando, incluindo lojas físicas, centros de distribuição e canais digitais.

Contato: julia.pestana@estadao.com

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