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23 de outubro de 2026, às 14:20
Por André Marinho
São Paulo, 23/10/2026 – O Bradesco apresentou um terceiro trimestre “mais negativo do que neutro”, diante da compressão da rentabilidade da margem com clientes e do aumento mais forte das provisões contra calotes (PDD), avalia o analista Rafael Reis, do BB Investimentos (BB-BI). Esses fatores se contrapuseram à contribuição positiva da margem com mercado, à aceleração das receitas de serviços e ao forte controle das despesas, na visão dele.
Para Reis, o terceiro trimestre representou uma mudança no tom em relação aos últimos anos: a transformação organizacional segue a todo vapor, mas um aperto prolongado nas condições de crédito podem ameaçar o ritmo de recuperação da rentabilidade que vinha sendo observado.
“Depois de avanços importantes desde o estresse de 2022-2023, acreditamos que o Bradesco entra agora em uma fase potencialmente menos evidente dessa recuperação, na qual será necessário administrar um cenário de maior inadimplência sem abrir mão demasiadamente de margem e crescimento”, alerta.
O analista cita ainda a queda na margem com clientes líquida de PDD, que recuou de 4,8% para 4,5% em 12 meses. Essa linha mostra a margem obtida pelo banco em operações com clientes, como empréstimos e financiamentos, descontada das despesas com provisões.
Como ponto positivo, Reis destaca a resiliência das receitas de serviços, particularmente em cartões, administração de fundos, consórcios e capitais, além do desempenho da seguradora e as despesas operacionais em baixa. “Receitas não provenientes de crédito e disciplina de despesas seguem dando robustez ao resultado consolidado, mesmo quando a operação bancária enfrenta um ambiente menos benigno”, pontua.
O BB-BI mantém a recomendação de compra para a ação preferencial do Bradesco, com preço-alvo de R$ 23, que representa um potencial de valorização de 13,7% em relação ao fechamento de ontem.
Contato: andre.marinho@estadao.com
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