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B3 registra entrada recorde de capital externo e volta ao radar de estrangeiros

7 de outubro de 2026, às 12:00

Por Luísa Laval*

São Paulo, 07/10/2026 – A entrada recorde de R$ 10,6 bilhões em capital estrangeiro na B3 na última segunda-feira, 5, indica que o mercado comprou a tese de eleição do candidato à presidência do PL, Flávio Bolsonaro, o que traz perspectiva de melhora da situação fiscal do País e diminuição da curva de juros. O cenário colocou de volta o Brasil nas recomendações de grandes bancos estrangeiros, como JPMorgan e Morgan Stanley.

O Ibovespa saltou 7,70% no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições, batendo 206.911,89 pontos, nova máxima histórica, nominal e real (considerando a inflação).

“A correlação entre móvel do Ibovespa com o fluxo de capital estrangeiro saltou na segunda-feira: foi o maior da história. Isso significa que, se já era o investidor estrangeiro que conduziu os preços de mercado nos últimos três anos, nesse dia ele olhou para o Brasil e disse: ‘É meu'”, afirma o estrategista de renda variável da XP, Raphael Figueredo.

O Itaú BBA estima que, se os fluxos de recursos de investidores estrangeiros e locais regressarem aos seus níveis médios históricos, cerca de R$ 270 bilhões poderão voltar à Bolsa brasileira. Desse montante, o volume de estrangeiros responderia por aproximadamente 45% dos novos recursos. “Os estrangeiros devem, portanto, representar a primeira etapa, com os investidores domésticos provavelmente vindo em seguida à medida que os juros caírem”, afirma o banco.

Atualmente, o Brasil tem peso de 4,03% no MSCI Emerging Markets, índice usado como referência pelos estrangeiros para mercados emergentes, ante a média histórica de 5,58%. Segundo o BBA, cada avanço de 1 ponto porcentual da participação brasileira no índice representaria cerca de R$ 79,3 bilhões em fluxo potencial. A volta à média histórica implicaria aproximadamente R$ 123 bilhões, cerca de cinco vezes as compras líquidas de estrangeiros no acumulado do ano.

Nesta semana, o JPMorgan e o Morgan Stanley reforçaram o otimismo com o Brasil e elevaram a recomendação do País de neutra para compra. Vale recordar que, em agosto, os dois bancos tinham rebaixado esses ratings por conta da incerteza fiscal e eleitoral.

O JPMorgan diz esperar que o índice MSCI Brazil avance 12% no curto prazo e chegue a um ganho de 20%. Segundo a análise, esse potencial de alta supera o que outros mercados da América Latina podem oferecer neste momento. Além disso, aponta que a apreciação do real pode abrir espaço para cortes mais rápidos da Selic.

Por sua vez, o Morgan Stanley destaca um cenário otimista para ações e câmbio. Após a forte alta nas ações brasileiras na segunda-feira, o Morgan ainda espera valorização de 15% a 20%, ou mais, até o fim deste ano, além de potencial de alta maior até 2027, condicionado a mudanças na política fiscal. Também acredita que há espaço para uma valorização adicional de 10% nas ações brasileiras e de 10% no câmbio até o fim de 2026.

Setores preferidos

Embora o otimismo seja geral para a Bolsa, as ações favoritas indicadas pelos bancos são as ações sensíveis aos juros e à economia doméstica, principalmente infraestrutura e utilities. Por exemplo, o Itaú BBA menciona a Equatorial, a Rede D’or, a Localiza e a Sabesp entre os papéis preferidos.

Na visão setorial, o Morgan Stanley afirma ter aumentado a posição para overweight (desempenho acima da média) em serviços financeiros e em utilidades públicas, mantendo a mesma recomendação para energia, minerais e hardware. Entre os bancos, menciona a XP, o BTG Pactual e a B3, evitando companhias com alavancagem excessiva e operações complexas, ainda que possam apresentar alta inicial com a perspectiva de juros menores. Além disso, as empresas nacionais têm preferência em relação a commodities, embora mantenha exportadoras selecionadas como opções, citando a JBS, a Embraer e a São Martinho.

O JPMorgan reforça a preferência pelo BTG e pela XP, além de destacar as ações favoritas em cada setor: em construção, reafirma a preferência pela Cyrela e Eztec, descritas como de alta renda. Em transportes, diz preferir a Localiza, a Movida, a Vamos, a Simpar, a Azul e a Ecorodovias. Em petróleo e combustíveis, o relatório aponta que a Petrobras segue como preferida, além de boas alternativas com a Prio, a Vibra e a Ultrapar.

Em varejo e saúde, o banco recomenda exposição comprada no Assaí, o Magazine Luiza, a Lojas Renner, a C&A e a Riachuelo, além de longa duração por meio de RD Saúde e Smartfit. Por fim, em utilities, recomenda posição comprada na Sabesp (duration), Energisa (sensibilidade a juros) e Eneva (optionality), e cita, no lado vendido, a Engie e a Isa Energia, descritas como “low beta”.

Outro ponto a favor do Brasil seria a rotação das carteiras mundiais para ativos diferentes do mundo da inteligência artificial (IA). “O mundo está monotemático. Só que o gringo tem vontade de fazer uma rotação do dinheiro, em uma alocação em ativos baratos, então existe crescimento e oportunidade”, conclui Figueredo, da XP. “Não é apenas o trade eleitoral, é também essa oportunidade que ele está vendo.”

Contato: luisa.laval@estadao.com

*Com a colaboração de Vinicius Novais, Camila Vech e Juliana Machado

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