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Abegás: Geração elétrica faz consumo de gás natural crescer 15,4% no 1sem26

3 de novembro de 2026, às 12:00

Por Denise Luna

Rio, 03/11/2026 – O volume total de gás natural movimentado no Brasil no primeiro semestre de 2026 chegou a 57,5 milhões de metros cúbicos por día (m3/d), alta de 15,36% na comparação com a média de 49,9 milhões de m3/d registrada no mesmo período de 2025. Os dados são do levantamento estatístico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), que reúne informações de consumo em diferentes segmentos, como indústria, geração elétrica, comércio e residências.

O principal fator para o crescimento no semestre foi a geração elétrica, que avançou 49% e passou de 11,4 milhões de m3/d na primeira metade de 2025 para 17 milhões de m3/d no primeiro semestre de 2026. Já a indústria, maior consumidora nacional de gás, manteve expansão mais moderada, de 4,5%, com o volume médio diário subindo de 29,5 milhões para 30,8 milhões de m3/d no período.

Outros indicadores também ficaram em terreno positivo, segundo a Abegás. O consumo residencial cresceu 2,3%, com média de 1,5 milhão de m3/d, e a demanda por gás como matéria-prima aumentou 8%, alcançando 556,3 mil m3/d. O segmento comercial permaneceu estável, com média de 881 mil m3/d, enquanto automotivo e cogeração recuaram, com quedas de 7,4% (média de 3,8 milhões de m3/d) e 5,3% (média de 1,2 milhão de m3/d), respectivamente.

Para o diretor executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, o cenário geopolítico e a necessidade de reindustrialização reforçam o papel estratégico do gás natural, com foco em ampliar oferta e infraestrutura e reduzir a dependência de combustíveis importados, como o diesel.

“A alta na demanda elétrica é um indicativo de como o gás natural é relevante para a segurança energética brasileira. Outra agenda importante é promover a redução de custos em infraestrutura, concluindo a revisão tarifária no transporte de gás sem duplicidade de cobrança por ativos já remunerados, e gerar ganhos de competitividade em elos cruciais da cadeia, como o escoamento, processamento e transporte. Isso permitirá que a demanda industrial siga crescendo”, afirmou Mendonça em nota.

Segundo ele, o grandevdesafio do setor é expandir a infraestrutura, interiorizar o gás natural e aprimorar o ambiente regulatório, “para que as distribuidoras possam cada vez mais cumprir seu papel, que não só é manter serviços de qualidade com segurança e eficiência, mas sobretudo levar o gás para mais clientes, bairros e municípios e desenvolver novas aplicações.”

Mendonça ressaltou a importância do fomento à demanda, com a regulamentação do Redata – Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter -, que inclua os projetos a gás natural sem restrições, e um conjunto de políticas públicas que incentivem o enorme potencial de demanda das frotas pesadas movidas a gás, “movendo o ponteiro do consumo automotivo”, disse o executivo.

A entidade também aponta avanço do mercado livre, com migração de grandes consumidores. Em junho de 2026, o volume movimentado nesse ambiente atingiu 34,6 milhões de m3/d, acima dos 25,3 milhões de m3/d de junho de 2025. No recorte industrial, o mercado livre registrou 19,8 milhões de m3/d em junho de 2026, ante 13,3 milhões de m3/d no mesmo mês do ano anterior, além de volumes relevantes em geração elétrica (12,8 milhões de m3/d) e cogeração (492 mil m3/d).

No diagnóstico da Abegás, porém, o avanço do mercado livre de gás natural exige mais transparência. Mendonça defende “publicidade integral dos contratos de suprimento”, e sugere atribuir a governança desse processo a uma câmara de comercialização, como a Câmara de Comercialização de Energia Elétricas (CCEE), para dar referência de preços e segurança ao crescimento do setor.

Do lado da infraestrutura, a associação afirma que a interiorização da rede segue em expansão. O total de clientes conectados subiu de 4,8 milhões em junho de 2025 para 5,1 milhões em junho de 2026, enquanto a extensão da malha passou de 45,8 mil km para 47,4 mil km no mesmo intervalo, avanço de 3,65%. O número de municípios atendidos também cresceu, de 510 para 520.

Para o diretor Econômico Regulatório da Abegás, Marcos Lopomo, a ampliação da base de consumidores e da malha é central para massificar o acesso ao gás natural e ao biometano, com efeitos sobre modicidade tarifária e redução de custos no longo prazo.

“Para solucionar esse gargalo, precisamos de uma agenda de competitividade que traga total transparência sobre os contratos firmados no ambiente livre. Assim como já acontece de forma transparente no mercado cativo, é fundamental requerer a publicidade integral dos contratos de suprimento no mercado livre, fornecendo referências de preços claras e isonômicas para todos os agentes”, avaliou Loporno.

Ele afirmou ainda, que a atuação das agências reguladoras estaduais, com autonomia e independência, é “fundamental para assegurar a segurança jurídica e a estabilidade regulatória” capazes de atrair investimentos e ampliar impactos econômicos, sociais e ambientais.

contato:denise.luna@estadao.com

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