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30 de outubro de 2026, às 21:00
Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é o principal cotado a assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Fonteles, porém, acabou de ser eleito para comandar o Estado por 70,90% dos votos válidos. Seria a primeira vez desde 1918 que um governador eleito recusaria um mandato dado pelo povo sem sequer tomar posse, e ele já indicou que isso não é um obstáculo.
A decisão de Fonteles pode ter riscos para a popularidade dele no Estado e a força política do PT. Mesmo votando nele, a população pode ver tomando posse o vice-governador eleito, Washington Bandeira (PT). Ao tomar essa medida, o governador reeleito abriria mão da confiança de eleitores que votaram nele para comandar o Estado por quatro anos, e por qual ele fez campanha e discutiu os desafios piauienses em debates.
Por outro lado, o governador reeleito diz confiar em Bandeira, que também é do PT. Além disso, os dois são amigos de infância.
Vice tomando posse no lugar de um governante eleito não é algo raro na história do Brasil, mas é geralmente relacionado com mortes. O caso mais marcante foi em 1985, quando o presidente da República eleito Tancredo Neves foi internado um dia antes de tomar posse, assumindo no seu lugar José Sarney. Tancredo morreu 37 dias depois.
Mas é incomum que um político eleito para um cargo executivo se recuse a assumir por outras pretensões políticas. Segundo levantamento feito pelo Broadcast Político, isso ocorreu apenas duas vezes: em 1893 e 1918, nos Estados de Goiás e Maranhão.
Em 1893, Leopoldo de Bulhões, eleito governador de Goiás – na época denominado presidente do Estado – se recusou a assumir o cargo, pois preferiu continuar exercendo o cargo de deputado federal no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Por conta disso, assumiu o cargo o vice-governador eleito, Antônio Caiado.
Já em 1918, o então vice-presidente do Brasil, Urbano Santos, havia sido eleito governador do Maranhão, mas não assumiu o cargo, pois preferiu assumir o Ministério do Interior (hoje, o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional).
A legislação da época era diferente da atual, e Urbano conseguiu assumir o cargo sete meses após a posse em que não compareceu. Neste período, dois políticos assumiram o Estado interinamente.
Fonteles pode ser 2º a renunciar comando do Estado para assumir Fazenda
Se Fonteles realmente se tornar ministro da Fazenda, ele será o segundo na história a deixar o comando de um Estado para comandar a Pasta. O único caso até então é o de Ciro Gomes, que, no último dia 4, tentou voltar ao comando do Ceará, mas foi derrotado, em primeiro turno, pelo candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT).
O ano era 1994 e Ciro estava no último ano de mandato quando o então presidente Itamar Franco o escolheu para suceder Rubens Ricupero, que renunciou à Fazenda após o “escândalo da parabólica”, onde uma conversa do ministro com um jornalista fora do script custou o cargo: “Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”, disse Ricupero na gravação vazada.
Ciro então deixou o cargo restando quatro meses para o fim, e a sucessão se tornou um entrave político no Ceará. O vice, Lúcio Alcântara, e o terceiro na linha de sucessão, o presidente da Assembleia Estadual, Chico Aguiar, renunciaram também. Assumiu então o presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, Adalberto Leal.
Tudo isso foi feito para que os dois não ficassem inelegíveis e pudessem disputar a eleição daquele ano, em que o grupo político de Ciro, apesar da crise sucessória, saiu vencedor ao conquistar o governo Estadual e no Senado. Somente com a eleição finalizada, Chico Aguiar aceitou assumir o cargo, finalizando a manobra política.
Fonteles é o nome mais cotado
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, é o principal nome cotado internamente para ser o próximo ministro da Fazenda, apurou o Broadcast Político. Ele conta com apoio de várias lideranças importantes do PT para ser o novo chefe da Fazenda e tem grande apreço de Lula.
O presidente foi explícito na comemoração da vitória ao agradecer Fonteles e Camilo Santana (PT-CE). Foi um gesto, na visão de aliados do presidente, reconhecendo a importância dos dois e a força do Nordeste na futura configuração de forças no PT. O presidente chamou os dois no trio elétrico na avenida Paulista, já na madrugada de domingo, 25, para segunda, 26, e deu as mãos aos dois.
Aliados do governador reconhecem que essa eventual escolha pela renúncia ao governo significaria grande dificuldade para disputar cargos no Piauí no futuro, mas seria um salto do governador para o cenário nacional – possivelmente como um sucessor de Lula no futuro.
O Broadcast Político apurou que Fonteles está disposto a dar esse salto para se tornar o ministro da Fazenda no quarto mandato de Lula. Essa construção vem sendo feita nos bastidores de modo a mitigar os efeitos negativos locais e construir uma unidade no partido em torno de seu nome.
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