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Senadores eleitos do PL apostam em discurso de ‘ditadura’ e ‘perseguição’ para justificar fuga

28 de outubro de 2026, às 16:20

Por Maria Magnabosco, especial para a Broadcast

Florianópolis, 28/10/2026 – Senadores eleitos pelo PL passaram a utilizar as redes sociais nesta quarta-feira, 28, para sustentar a narrativa de que o Brasil vive uma ditadura e que há perseguição política contra adversários do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As manifestações ocorrem após a fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, três dias depois da derrota do senador no segundo turno das eleições presidenciais.

Em vídeo publicado na rede social X, o senador eleito pelo Paraná Deltan Dallagnol (PL) classificou a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse seus passaportes como uma medida de perseguição política. “O pedido da retirada dos passaportes foi uma medida ditatorial, arbitrária e de perseguição política”, afirmou.

Dallagnol também alegou que autoridades estrangeiras reconheceram a existência de perseguição contra o senador. “Autoridades da Argentina e dos EUA concederam proteção para Flávio por saberem que ele está passando por uma perseguição”, declarou.

O senador eleito por Goiás Gustavo Gayer (PL) também associou a saída de Flávio do País a uma ditadura. “São e salvo, graças a Deus! Mais um líder da direita que tem que sair do Brasil para não ser perseguido pela ‘democracia relativa'”, escreveu no X, após a confirmação de que o senador havia desembarcado em Miami com a família.

Já o senador eleito pelo Rio Grande do Sul Marcel van Hattem (Novo) utilizou declarações do deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) para reforçar as críticas à atuação da Polícia Federal. “Ditadura em pleno vapor no Brasil!”, escreveu. Em seguida, citou uma fala do petista na tribuna da Câmara, na terça-feira, 27, em que Tatto afirmou ter informações da PF sobre futuras prisões de apoiadores de Jair Bolsonaro.

A senadora eleita por Santa Catarina Carol de Toni (PL) também questionou a atuação das autoridades brasileiras. Em publicação no Instagram, ela resgatou uma declaração de Lula durante o debate presidencial da Band, em 18 de outubro, quando o petista afirmou a Flávio que investigações contra ele avançariam após as eleições.

“Lula foi muito convicto ao mandar Flávio Bolsonaro se preparar, afirmando que, após a derrota nas eleições, os inquéritos contra ele iriam andar. E agora, pouco mais de 48 horas depois, vemos as consequências daquela declaração. Coincidência?”, questionou.

A parlamentar acrescentou: “Desde quando um presidente da República antecipa publicamente o que vai acontecer com as investigações contra seu adversário político? O Brasil não é para amadores!”. Em outra publicação, no X, questionou: “Ainda há quem não veja motivo para se preocupar com os rumos da nossa democracia?”.

As manifestações ocorrem após Flávio deixar o Brasil descumprindo uma determinação de Moraes para entregar seus passaportes à Polícia Federal e não sair do País. A decisão foi tomada no âmbito de um inquérito que investiga o senador por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades.

O candidato derrotado chegou a Miami na manhã desta quarta-feira, acompanhado da esposa e das duas filhas. A família cruzou a fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de terça-feira, 27. De lá, embarcou em um avião particular que fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos.

O governo argentino confirmou a passagem de Flávio pelo país, enquanto o governo americano tinha conhecimento da viagem e informou que concederia vistos ao senador e à família.

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