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27 de outubro de 2026, às 17:38
Por Antonio Perez
São Paulo, 27/10/2026 – O dólar caiu quase 1% frente ao real nesta terça-feira, 27, em aparente correção e ajuste de posições após a valorização de 8,21% ontem – a maior alta porcentual diária desde janeiro de 1999 -, diante da surpresa com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora haja aumento da percepção de risco com as dúvidas em torno da política fiscal em um novo mandato do petista, operadores atribuem grande parte da arrancada da moeda americana ontem a questões técnicas, uma vez que investidores haviam se posicionado maciçamente para uma vitória de Flávio Bolsonaro.
Para o diretor de tesouraria do Braza Bank, Bruno Perottoni, os preços dos ativos locais já incorporaram a reeleição de Lula no pregão de segunda-feira, quando houve um desmonte de apostas “muito otimistas” em torno da possibilidade de a oposição conquistar a Presidência.
“Voltamos agora ao ‘status quo’ de antes da eleição, mas com o governo enfrentando uma forte oposição no Senado. O mercado busca agora uma acomodação e já sinalizou a Lula que espera uma mudança na política fiscal”, afirma Perottoni, ressaltando que houve forte internalização de recursos por parte dos exportadores ontem.
Após rondar os R$ 5,34 ao longo da tarde, o dólar terminou a sessão de hoje em baixa de 0,97%, a R$ 5,3506, na contramão do comportamento da moeda americana no exterior. A taxa de câmbio chegou a flertar com o rompimento do piso de R$ 5,30 pela manhã, quando registrou mínima de R$ 5,3078.
Apesar da valorização de 3,39% em outubro, no ano o dólar ainda recua 2,52% frente ao real. Entre as divisas latino-americanas, apenas a moeda brasileira e o peso colombiano, que ostenta ganhos de mais de 15%, têm desempenho positivo em 2026.
O analista de câmbio Michael Pfister, do Commerzbank, trabalha com a possibilidade de continuidade do movimento de correção do câmbio nos próximos dias, à medida que investidores digerem o resultado da eleição.
“No médio prazo, no entanto, a questão-chave será a capacidade de Lula implementar ajustes críveis na política fiscal e realizar reformas. A história recente nos deixa em dúvida em relação a isso. Mantemos nossa projeção de dólar em R$ 5,20 até o fim do ano”, afirma.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou hoje que o governo trabalha com a ideia de propor um projeto de lei complementar (PLP) para definir juridicamente que buscará o centro da meta de resultado primário, em um sinal de compromisso fiscal da gestão Lula.
Os estrategistas de câmbio do banco americano BBH ressaltam que Lula, diante de um Congresso de perfil mais conservador, vai precisar do apoio de partidos de centro para aprovar projetos no Parlamento – o que tende a limitar o espaço para mais expansão fiscal.
“É importante ressaltar que o ‘carry’ atraente e a exposição estratégica do Brasil a commodities ligadas à energia, à IA e à defesa seguem como fatores estruturais relevantes para o real”, afirmam.
Lá fora, o índice DXY – referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes – operou em alta e subia 0,35% por volta das 17h, aos 102,311 pontos. A expectativa majoritária é que o Federal Reserve anuncie amanhã, 28, a manutenção da taxa de juros na faixa atual, mas dê sinais de que pode voltar a apertar a política monetária em dezembro.
Contato: antonio.perez@estadao.com
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