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26 de outubro de 2026, às 15:20
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Por Marcelo de Moraes
Brasília, 26/10/2026 – A votação expressiva dada pelo Nordeste nas duas últimas campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva deverá assegurar protagonismo para a ala do PT na região na próxima equipe ministerial. Apontados como dois dos principais responsáveis pela reação de Lula no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador Camilo Santana (CE), que coordenaram a campanha no segundo turno, passaram a ser vistos dentro do governo e do próprio PT como nomes com potencial para serem trabalhados como eventuais sucessores de Lula em 2030. Reeleito governador do Piauí com o maior porcentual de votos entre todos os Estados, o matemático Rafael Fonteles ganhou força dentro do governo para assumir o Ministério da Fazenda e dar uma cara nova à política econômica do governo Lula num momento de cobrança do mercado e do setor produtivo por ajuste fiscal e credibilidade no trato das contas públicas. Responsável também por liderar o grupo político que impôs derrota expressiva à aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, Camilo Santana é visto com potencial para comandar a articulação política do governo no Congresso e ser uma das opções para concorrer ao Planalto daqui a quatro anos.
Mudança – Se for confirmado o movimento, o grupo nordestino do PT poderá ter, pela primeira vez na história do partido, a chance de indicar um de seus integrantes para disputar o Planalto. Embora Lula seja pernambucano, construiu toda a sua trajetória política em São Paulo. Além dele, o PT só lançou a mineira (com carreira no Rio Grande do Sul) Dilma Rousseff e o paulista Fernando Haddad.
Futuro – A reeleição de Lula garantiu mais quatro anos de mandato para o PT mas iniciou, simultaneamente, a corrida para definir seu sucessor. Lula completará 81 anos nesta terça-feira, não poderá ser mais reeleito e abrirá caminho para a disputa interna pelo seu legado.
Chances – A ala do Nordeste ganha força nesse contexto, já que tem entregue a impressionante massa de votos nas duas últimas eleições. O partido repetiu este ano as vitórias obtidas nos quatro Estados que ganhou em 2022: Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.
Fôlego – Sempre visto como uma espécie de herdeiro natural de Lula, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad perdeu um pouco de terreno nessa discussão após a segunda derrota seguida para Tarcísio de Freitas da disputa pelo governo de São Paulo. Como Tarcísio é apontado como um provável concorrente em 2030, escolher Haddad para esse confronto passou a ser visto por integrantes do PT como um passo incerto.
Espaço – Apesar disso, Haddad também pode receber espaço nobre no governo para ampliar sua visibilidade e viabilizar uma eventual candidatura. Ele tem sido citado como possível ministro da Casa Civil, passando a funcionar como uma espécie de gerente do governo no próximo mandato.
Mensagem – No caso da Fazenda, se Fonteles for escolhido, o recado transmitido é que o PT seguirá mandando nos rumos da economia. Para o mercado, isso representaria a manutenção da política de elevação de gastos, sem contenção de despesas.
Perfil – Dentro do governo, há uma corrente importante que defende que o vice-presidente Geraldo Alckmin assuma a Fazenda, justamente para deixar claro que o compromisso fiscal e a austeridade estarão assegurados pelo governo nos próximos anos.
Espaço – O problema é que os petistas têm batido o pé que o comando da economia seja mantido com alguém do partido, justamente para que as políticas públicas defendidas por Lula não se submetam aos critérios de alguém do mercado ou que tope fazer sinalizações desse tipo.
Queixa – Essa visão explica porque até hoje há resistência dentro do PT à atuação de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, especialmente por conta da política de juros.
Entrada – Outra presença visto como certa do grupo petista do Nordeste no futuro ministério é a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra. Ela abriu mão de uma eleição apontada como garantida para o Senado para tentar criar e eleger seu sucessor. Escolheu seu secretário da Fazenda, Cadu Xavier, o rebatizou como “Cadu do Lula”, e ontem viu sua vitória no segundo turno. Fátima deve ser indicada para alguma pasta na área social.
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