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26 de outubro de 2026, às 02:10
Por Francisco Leali, do Estadão
Foi suado. Foi difícil. Foi de virada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou dos eleitores uma nova chance e poderá ficar mais quatro anos no poder. A reviravolta no segundo turno é inédita na história do País.
O resultado contrariou as probabilidades estatísticas, enganou a matemática. A causa da mudança de vento ainda precisa ser decifrada. Mas há pistas. Entre um turno e outro, gente nova embarcou na campanha de Lula o governo anunciou um monte de projetos e ‘soldados’ foram convocados para o exército virtual de Lula.
A vitória pode até embaçar os erros, mas é preciso olhar para o outro lado. Flávio Bolsonaro, o primogênito do golpista Jair, venceu o primeiro turno e por pouco pega de volta para o clã a faixa presidencial.
O presidente reeleito estará agora em festa. Todos os seus também. Há motivo para isso e também alívio. Mas, passada a celebração, chegará a hora de sentar e ver também o que deu errado. E foi muita coisa porque o adversário chegou perto.
Vender ao eleitor só o passado não funcionou. Mas mobilizar as pessoas, engajá-las virtualmente para levantar gente desanimada para votar parece que deu certo.
Andar de mãos dadas com o ministro Alexandre de Moraes fez sentido por ter sido ele o responsável pelas ações anti-golpe. Mas, com o magistrado exposto por negócios com banqueiro fraudador, não havia mais motivo para mantê-lo blindado de uma investigação séria.
Acreditar que projetos de gestões passadas vão fazer o eleitor ser fiel em gratidão eterna também pode não ter sido a melhor estratégia. O eleitor quer sonhar com o futuro.
E é preciso lembrar: o adversário tinha uma folha corrida, um passado de defender milícia, um pai que tentou dar golpe de Estado. Ainda assim, boa parte dos eleitores estava topando dar ao clã o Palácio do Planalto.
O “Lula ladrão” repetido por esses eleitores como a única razão para justificar o voto em Flávio carece de compreensão. O fato de o presidente ter um filho autorizado a se encontrar com ministros, associar-se a empresários com interesses no governo já deveria ter sido uma questão equacionada no Lula 1 e 2. Mas seguiu como um esqueleto no Lula 3. Vai seguir no Lula 4?
E ainda houve o tal André Janones, o deputado que já foi acusado de fazer rachadinha, a ensinar ao presidente de 80 anos a usar um celular e as redes sociais. O PT capitaneado por velhos coronéis recebeu o alerta de que é preciso mudar. Janones mostrou isso a eles. E Lula deve seu quarto mandato, em boa medida, ao político mineiro.
O governo também pode carecer de uma mudança de rumos. Se tudo estivesse certo, não teria sido como foi. E o bolsonarismo está logo ali.
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