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23 de outubro de 2026, às 17:50
Por Maria Magnabosco, especial para a Broadcast
Florianópolis, 23/10/2026 – O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) viajou à Argentina para produzir um vídeo com críticas às medidas de ajuste fiscal do governo de Javier Milei, apontado como referência econômica pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O material foi divulgado nas redes sociais do PT nesta sexta-feira, 23, a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais.
“A mesma motosserra que passou lá agora ameaça passar no Brasil, pela tesoura de Flávio Bolsonaro. Não iremos permitir!”, escreveu o partido na publicação, em referência ao símbolo utilizado por Milei para representar a redução dos gastos públicos e ao “tesouraço” defendido pelo candidato do PL.
No vídeo, Pimenta questiona pessoas nas ruas da Argentina sobre os efeitos dos cortes promovidos pelo governo argentino sobre a população. Um dos entrevistados afirma que as principais medidas de redução de despesas atingiram aposentadorias, programas sociais, obras públicas e transferências de recursos para as províncias.
Segundo o entrevistado, 65% do ajuste fiscal realizado por Milei corresponde a cortes em aposentadorias e programas sociais. Ele também afirma que houve redução superior a um terço no orçamento das universidades públicas e perda do poder de compra dos professores.
Pimenta também questiona as consequências das medidas para os aposentados argentinos. O entrevistado relata dificuldades para a compra de alimentos e medicamentos, atribuídas à redução dos benefícios previdenciários, à retirada de subsídios e aos cortes em programas de distribuição gratuita de remédios.
“Aposentado tem que escolher entre comprar um remédio ou comprar alimento”, afirma o entrevistado. As declarações apresentadas no vídeo não foram acompanhadas de dados oficiais que permitam verificar os percentuais mencionados.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem citado a política econômica de Milei como inspiração para um eventual governo. Em setembro, a coordenadora econômica da candidatura, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, classificou o presidente argentino como um “ótimo exemplo” em medidas de redução de impostos, burocracia e gastos públicos.
A equipe econômica de Flávio defende um ajuste fiscal com redução de despesas e revisão de normas tributárias, mas afirma que não pretende promover cortes em programas sociais.
O modelo argentino também foi tema do debate presidencial da Band, no último domingo, 18, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou Flávio sobre a intenção de adotar medidas semelhantes às de Milei. Na ocasião, o candidato do PL afirmou que pretende realizar um “tesouraço” nos gastos relacionados à corrupção e aos privilégios do governo federal.
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