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Magazine Luiza volta ao radar do mercado e já acumula valorização de 71% em outubro

23 de outubro de 2026, às 14:20

Por Luísa Laval*

São Paulo, 23/10/2026 – O Magazine Luiza parece ter se recuperado do ciclo de fortes baixas no ano e chega às vésperas do segundo turno eleitoral acumulando valorização de 71,3% em outubro, a maior alta do Ibovespa no mês. Desde setembro, três grandes bancos elevaram suas recomendações para a varejista, de neutro para compra: o Itaú BBA, o Bank of America (BofA) e o Citi. Além disso, a empresa anunciou novas parcerias com plataformas digitais e se beneficiou do alívio dos juros ao longo do período.

De 11 de fevereiro a 20 de agosto, a ação do Magalu amargou perdas de 64,7%, cotada a R$ 3,88, e fazendo o valor de mercado chegar a R$ 3,01 bilhões. Desde então, o papel apresenta um ritmo de crescimento e vem renovando as máximas do ano, acumulando ganhos de 229,4%, agora cotado a R$ 12,78, alcançando R$ 9,92 bilhões de market cap.

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A depender do resultado das eleições, esse movimento pode se intensificar ou ser freado: o setor de varejo, juntamente com outras ações cíclicas, tende a acompanhar o comportamento das curvas de juros, sensíveis ao noticiário político e à percepção de maior rigor, ou não, na gestão fiscal durante o próximo mandato. Ao mesmo tempo, os bancos não excluem riscos para o Magazine Luiza em relação a concorrentes.

O Citi, por exemplo, mantém preocupações de longo prazo com a dinâmica de marketplaces, citando o Mercado Livre e Shopee, mas argumenta que a posição única do Magazine Luiza como a maior varejista de bens duráveis pode tanto capturar a demanda incremental das lojas físicas quanto se beneficiar de ventos favoráveis do canal online, por ser o maior vendedor nas plataformas de marketplace.

Os analistas atualizaram todos os modelos da sua cobertura de varejo para refletir um custo de capital próprio menor em toda a cobertura, corte que atribuem principalmente à queda dos juros longos no Brasil. Segundo o banco, o futuro de CDI para 2035 recuou cerca de 125 pontos-base com o novo cenário eleitoral. Mesmo assim, o Citi pondera que 2027 continua sendo um ano incerto e descreve o cenário de taxa de juros como ainda “fluido”.

O Itaú BBA também elevou sua recomendação, destacando que a empresa apresenta uma combinação de queda de juros e um possível ganho de participação após a recuperação judicial da Casas Bahia, melhorando o risco-retorno no curto prazo.

O banco avalia que a situação da Casas Bahia, com pedido de recuperação judicial e fechamento de cerca de 29% das lojas, pode abrir espaço para ganho de participação de mercado, além do avanço do Magalu em marketplaces, como Mercado Livre e Amazon. Pelas contas do Itaú BBA, esses fatores poderiam adicionar R$ 7,5 bilhões em vendas em 2027 e cerca de R$ 300 milhões em lucro.

O Citi também fez uma conta parecida: as projeções para 2026 a 2029 já embutem um ganho incremental de cerca de R$ 6 bilhões em vendas orgânicas nas lojas físicas, o equivalente a aproximadamente 20% das vendas da Casas Bahia no canal, mas afirma que o precedente histórico sugere que esse número pode ser conservador.

Por sua vez, o BofA avalia positivamente a parceria anunciada com o Mercado Livre para listar produtos e abrir lojas oficiais na plataforma, sinalizando um “pivot” de um modelo de e-commerce generalista para verticais online, com oportunidade econômica adicional. Na mesma linha, o Magazine Luiza fechou estratégias semelhantes com a Amazon, o AliExpress e Shopee. O banco norte-americano pontua que essas plataformas tendem a economizar mais na aquisição de tráfego via mídia paga.

O BTG Pactual manteve a recomendação de compra, apontando que as parcerias representam uma mudança estratégica importante, com foco em crescimento rentável do volume bruto de mercadorias (GMV) e maior eficiência de distribuição. “Em vez de competir diretamente com grandes marketplaces por um tráfego de clientes cada vez mais caro, o Magalu está aproveitando essas audiências para ampliar sua distribuição”, aponta em relatório.

O banco também vê potencial benefício para a Magalog, plataforma logística própria do grupo. Com volumes maiores, a operação pode ganhar densidade de rotas, melhorar a utilização dos ativos e reduzir o custo por entrega.

Contato: luisa.laval@estadao.com

*Com a colaboração de Cecília Mayrink

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