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23 de outubro de 2026, às 14:20
Por Flávia Said e Mateus Maia
Brasília, 23/10/2026 – O ministro da Fazenda e coordenador econômico do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dario Durigan, disse que a dívida pública brasileira é doméstica e rechaçou qualquer risco de não pagamento ou calote. “Toda a nossa dívida está praticamente na mão de brasileiros, de empresas, de setores, de instituições bancárias e financeiras brasileiras”, afirmou em entrevista ao UOL.
Ele admitiu o crescimento da dívida e atribuiu ao aumento da taxa de juros, alegando que, no governo Lula, o Banco Central (BC) é independente. “O papel do governo central é melhorar a condição fiscal, não tem dúvida disso”, defendeu. “Não adianta a gente correr para dar uma resposta fácil e ilusória”, acrescentou.
Durigan reconheceu que os empresários reclamam de aumento de tributos, mas argumentou que o que foi feito foi uma revisão de benefícios tributários, como o Perse e a desoneração da folha de pagamentos. “Estamos fazendo um trabalho de equacionar o fiscal de modo que a receita venha mais do que a despesa. Isso foi feito nesse período. Cortar o gasto obrigatório e abrir espaço para que a gente faça um fiscal melhor e investimento é papel deste governo e a gente fez isso”. E disse que o Orçamento de 2027 será positivo, com superávit, prometendo novamente que o governo vai melhorar a situação nos anos seguintes, “sem dar cavalo de pau e sem fazer loucura”.
“Não dá para querer vender para o mercado que no primeiro ano vai se resolver esse problema, porque não vai, é impossível que seja feito”, completou. Segundo ele, será possível resolver a questão seguindo a cadência de corte de gastos obrigatório com o compromisso de baixar a taxa de juros e melhorar o resultado fiscal.
Durigan negou que haja risco de recessão no País e sustentou que há um provável desaquecimento da economia em função de fatores como os juros altos, a guerra no Irã e o El Niño. “Se a gente conseguir diminuir a taxa de juros para o mercado como um todo e, de outro lado, fazer os incentivos corretos com o pouco dinheiro público que a gente tem para investimento – podendo aumentar um pouco, focar em determinadas áreas -, a gente consegue fazer com que o Brasil, ainda que diminua um pouco o nível de crescimento, volte rapidamente a retomar para que em 2028, 2029 e 2030 o País siga numa trajetória de crescimento próxima de 3%”, pontuou.
Contatos: flavia.said@broadcast.com.br, mateus.maia@broadcast.com.br
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