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Especial: capital estrangeiro e institucional faz SMAL11 desbancar BOVA11, de olho em juro menor

23 de outubro de 2026, às 09:20

Por Simone Cavalcanti e Márcio Rodrigues

São Paulo – Uma onda de aportes de investidores institucionais e estrangeiros na primeira quinzena de outubro provocou inversão histórica de posição dos fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês). O SMAL11, atrelado ao índice das empresas com menor valor de mercado, desbancou o BOVA11, que espelha o Ibovespa. Dados exclusivos da B3 à Broadcast mostram que o volume médio diário negociado do ETF de small caps alcançou R$ 2,16 bilhões, 44% acima do R$ 1,5 bilhão do ativo ligado ao principal índice da bolsa brasileira.

O movimento apurado pela B3 ocorreu após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, no qual Flávio Bolsonaro (PL) saiu na frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O entendimento de investidores e analistas é que, se confirmada a alternância de poder no segundo turno, no próximo dia 25, haverá um compromisso crível de redução de gastos para trazer mais equilíbrio às contas públicas. Assim, seria possível estancar o crescimento da relação dívida/Produto Interno Bruto (PIB), atualmente em 82,9%.

“O investidor enxergaria um espaço para uma queda de juros estrutural, o que reduziria o custo de capital das empresas de forma direta e elevaria ganhos de produtividade e lucro. Os efeitos da queda de juros são bem mais expressivos nas companhias de menor capitalização da bolsa, pois são mais sensíveis ao crédito”, diz Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos. “O preço dessas ações está amassado pela estrutura de juros atual”, completa.

Para Christopher Galvão, sócio e analista de fundos da Nord Investimentos, a possibilidade de uma mudança na condução da política econômica brasileira acionou o modo de antecipação no mercado financeiro e abriu uma janela de oportunidade histórica para as ações de menor capitalização.

Em meados de outubro, diz Galvão, o múltiplo de Preço sobre Lucro (P/L) projetado do Ibovespa atingiu 9,5 vezes, aproximando-se da sua média histórica de 10,5 vezes. Assim, o índice teria um potencial de ganho de apenas 10% para que os preços convergissem à média histórica. Já no caso das small caps, no mesmo período de medição, o P/L projetado está em 10,3 vezes, enquanto a sua média histórica é de 13,1 vezes. Portanto, um potencial de um avanço de 27%. “As small caps estão substancialmente mais baratas e carregam um potencial de alta maior em um cenário de corte de juros”, diz o analista.

Com a queda de juros, o dinheiro que, antes estava confortável na renda fixa, começa a migrar para as ações. Além disso, ressalta Mendes, os fundos multimercados, que passaram 24 meses perdendo para o CDI e reduziram sua alocação em ações de 25% para meros 2%, agora podem voltar a comprar papéis para poder gerar retorno acima do Ibovespa.

“O ETF se mostra o instrumento mais útil neste momento para quem busca capturar esse retorno”, diz Mendes. Segundo ele, quando o investidor monta uma carteira focada em grandes empresas, o processo de escolha individual de ações é mais fácil, o que tira um pouco do apelo de fluxos generalizados para índices como o BOVA11. Já no universo das small caps, em um ambiente favorável de recuperação, a carteira sintetizada de um ETF como o SMAL11 facilita a alocação. Em vez de tentar selecionar ativos individualmente em um mercado de menor liquidez, o investidor consegue comprar o setor de forma diversificada e ter mais eficiência para captar um eventual movimento de alta.

O apetite dos investidores vem fazendo com que o SMAL11 aumente sua participação no total de ETFs da B3: saiu de uma faixa de 10% a 23%, no início de setembro, oscilou entre 30% a 35% no fim daquele mês e início de outubro. Depois do dia 7 de outubro, rodou perto de 60%, permanecendo acima do BOVA11 até o dia 13, data em que o levantamento foi finalizado.

Risco binário

O analista da Nord Investimentos ressalta que o fluxo de entrada recente é um sinal direto de investidores precificando a maior probabilidade de mudança de governo. No entanto, por se tratar de uma antecipação de mercado, a estratégia carrega riscos elevados no pós-eleição. “Se a troca de governo se consolidar, o mercado passará a cobrar o novo mandatário imediatamente. Se a nova gestão falhar em endereçar os problemas fiscais, a Bolsa deve devolver os ganhos recentes. Por outro lado, caso ocorra a permanência do governo atual, pode haver correção generalizada, e as small caps, justamente por terem maior volatilidade e maior sensibilidade ao risco fiscal, sofrerão mais do que as grandes empresas do Ibovespa.

Contato: simone.cavalcanti@estadao.com e marcio.rodrigues@estadao.comUP

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