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Dallagnol faz novo PowerPoint sobre Lula após ser escolhido para analisar sigilos do presidente

22 de outubro de 2026, às 17:50

Por Maria Magnabosco, especial para a Broadcast

Florianópolis, 22/10/2026 – O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-procurador da Operação Lava Jato, publicou nesta quinta-feira, 22, um novo “PowerPoint” associando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a casos como o Banco Master, as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e supostas contas com Marco Aurélio Santana Ribeiro, mais conhecido como Marcola, em referência ao ex-chefe de gabinete do chefe do Executivo. A publicação, feita no Instagram, reproduz o formato de uma apresentação utilizada por Dallagnol em 2016, durante a Lava Jato, pela qual foi condenado a indenizar Lula por danos morais.

O novo material traz Lula no centro cercado por referências a pessoas, empresas e episódios que Dallagnol considera que estariam associados ao presidente. A imagem também menciona familiares do petista, o empresário Daniel Vorcaro, o Banco Master e o Instituto Lula. As associações apresentadas pelo ex-procurador não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.

Na publicação, Dallagnol anunciou que foi escolhido pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para examinar os documentos bancários, fiscais e telefônicos de Lula e de pessoas próximas ao presidente. “Fui escalado pela campanha de Flávio Bolsonaro para analisar tecnicamente os documentos que Lula disse que entregaria. Vamos ver se ele vai cumprir essa promessa. Da minha parte, vou conferir tudo, documento por documento”, escreveu.

“Na última vez em que vi os sigilos de Lula, ele acabou condenado e preso”, acrescentou. Em outra publicação, nos stories do Instagram, o ex-procurador também associou a discussão sobre a abertura dos sigilos à delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht em 2017. “Inclusive, toda esta história de sigilo do Lula me lembrou da delação do Odebrecht em 2017”, escreveu.

Condenação pelo PowerPoint

Em setembro de 2016, Dallagnol utilizou uma apresentação de PowerPoint durante entrevista coletiva para explicar uma denúncia contra Lula na Operação Lava Jato. O material mostrava o então ex-presidente no centro de um suposto esquema criminoso, com setas que o relacionavam a diferentes pessoas e episódios investigados pela força-tarefa.

Em março de 2022, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Dallagnol ao pagamento de R$ 75 mil por danos morais a Lula. A Corte entendeu que o ex-procurador extrapolou os limites de suas funções ao utilizar qualificações que atingiram a honra e a imagem do petista e atribuir a ele fatos que não constavam da denúncia apresentada.

Em dezembro de 2025, Dallagnol comprovou o pagamento de R$ 146 mil em indenização, valor atualizado com juros e correção monetária. O montante foi arrecadado por meio de doações de apoiadores.

Lula foi condenado e preso em 2018 no âmbito da Lava Jato, permanecendo detido por 580 dias. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações relacionadas à operação em Curitiba, por entender que a 13ª Vara Federal não tinha competência para julgar os processos. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá (SP).

Disputa pela abertura dos sigilos

A disputa pela abertura dos sigilos começou durante o debate presidencial da Band, no domingo, 18, quando Lula desafiou Flávio a divulgar seus dados bancários e telefônicos. Na terça-feira, 20, a campanha petista apresentou ao TSE uma proposta para divulgar informações financeiras, fiscais e telefônicas do presidente, de familiares e de empresas relacionadas a ele, desde que o candidato do PL fizesse o mesmo.

“O Brasil precisa saber quem é corrupto de verdade”, disse Lula durante o debate.”O Brasil precisa saber quem é corrupto de verdade”, disse Lula durante o debate.

Flávio respondeu na quarta-feira, 21, com uma petição que estabeleceu 19 exigências, incluindo a divulgação de informações sobre familiares e empresas ligadas a Lula. Nesta quinta-feira, representantes do PT compareceram ao TSE para formalizar a aceitação das condições.

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