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16 de outubro de 2026, às 21:10
Por Gabriel de Sousa
O MDB, maior partido em número de filiados do País, que liderou o processo de redemocratização do Brasil há quatro décadas, vai ficar sem posição nacional definida sobre um segundo turno na terceira eleição presidencial seguida. Nesta terça-feira, 13, o partido sofreu uma cisão, com 17 diretórios apoiando o senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto outros 10 optaram por endossar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A mais nova divisão do MDB reflete como o partido se dividiu em dois polos: um conservador, mais próximo do bolsonarismo e, especialmente, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); e outro, ainda comandado por lideranças que apoiaram gestões petistas e presente nos ministérios e estatais do terceiro governo Lula.
Além disso, a divisão do MDB é, acima de tudo, regional. O presidente é apoiado por diretórios do Nordeste, onde venceu Flávio por mais que o dobro de votos do opositor, e do Norte, onde o senador venceu, mas por uma margem apertada de pouco mais de 450 mil votos.
No Norte, Lula tem aliados influentes que integram as fileiras do MDB, como os senadores Eduardo Braga (AM) e Confúcio Moura (RO), além do ex-governador do Pará e senador eleito Helder Barbalho.
Diretórios das duas regiões declararam apoio a Lula “em defesa da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro”, horas antes de os diretórios do Sul, Centro-Oeste e Sudeste anunciarem apoio a Flávio. O grupo de oposição a Lula, além da influência de Tarcísio, também é liderado pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.
A falta de coerência política no MDB ocorre ao mesmo tempo em que o partido perde força no Legislativo. A desidratação ocorre principalmente no Senado, Casa que era historicamente liderada pelo partido, mas que não tem um presidente emedebista desde 2018 e que está fora de cogitação retornar para a sigla no ano que vem.
Em 2015, o partido contava com 66 deputados federais e 19 senadores no Congresso, número que passou a diminuir em cada eleição geral.
Em 2019, quando o ex-presidente Michel Temer deixou o poder, a sigla tinha 34 deputados e 12 senadores. Em 2022, as bancadas passaram a ser de 42 deputados e dez senadores. Em 2027, serão 36 emedebistas na Câmara e oito no Senado.
Liberação
Na eleição passada, o MDB lançou a candidatura da então senadora Simone Tebet à Presidência. Ela terminou em terceiro lugar, com 4,9 milhões de votos (4,16% dos votos válidos), e, de imediato, anunciou apoio a Lula na disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A postura dela, porém, não foi seguida pelo partido, que optou por ficar neutro e liberar os filiados para apoiar os dois candidatos. Ficaram ao lado de Bolsonaro o então governador eleito do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e políticos ligados ao agronegócio, como o então presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Sérgio Souza (PR).
Em 2018, o partido lançou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, sendo essa a primeira vez que o partido teve um candidato à Presidência desde 1994, quando concorreu o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Com os filiados preferindo abraçar as campanhas de postulantes mais fortes, Meirelles ficou em sétimo lugar, com 1,3 milhão de votos (1,20% dos votos válidos).
Após o término do primeiro turno, em que Jair Bolsonaro e o então ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foram os candidatos melhor colocados, o MDB decidiu liberar os filiados. Os grupos do Norte e Nordeste ficaram com Haddad, enquanto os do Sul, Sudeste e Centro-Oeste abraçaram a candidatura de Bolsonaro. O cenário se repete oito anos depois.
Outras eleições presidenciais
1989: O candidato do PMDB foi o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, que ficou em sétimo lugar, com 4,74% dos votos válidos. No segundo turno, Ulysses apoiou Lula contra o então ex-governador de Alagoas Fernando Collor (PRN), mas o PT rejeitou o apoio formal do PMDB devido à alta rejeição do presidente José Sarney. Collor foi eleito.
1994: O candidato do PMDB à Presidência foi Orestes Quércia, que ficou em quarto lugar, com 4,38% dos votos válidos. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ganhou em primeiro turno.
1998: O PMDB apoiou informalmente Fernando Henrique Cardoso, que foi reeleito em primeiro turno.
2002: O PMDB esteve na coligação de José Serra (PSDB), que foi derrotado em segundo turno por Lula.
2006: Em cenário semelhante ao de 2026, o partido ficou neutro na disputa presidencial, liberando filiados para apoiar Lula e o então ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno. A diferença em relação ao cenário atual é que o PT conseguiu o apoio de diretórios espalhados por todas as regiões do País.
2010: O PMDB esteve na coligação de Dilma Rousseff (PT), eleita presidente em segundo turno ao vencer José Serra (PSDB).
2014: O PMDB esteve na coligação de Dilma Rousseff (PT), reeleita presidente em segundo turno ao vencer Aécio Neves (PSDB).
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