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16 de outubro de 2026, às 18:27
O Brasil poderá atingir um dos menores custos do mundo para a geração de energia solar firme, com cerca de US$ 41 por megawatt-hora (MWh) em 2035, ficando atrás apenas da China, segundo projeções da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), informou a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar) ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), nesta sexta-feira, 16.
O cálculo considera a combinação entre geração fotovoltaica e sistemas de armazenamento em baterias, com confiabilidade de 95%, e coloca o País na segunda posição entre os mercados avaliados, empatado com Omã e perdendo apenas para a China, cujo custo é estimado em aproximadamente US$ 33/Mwh.
A Absolar afirmou que a projeção reforça a competitividade do Brasil na união entre solar e baterias, e abre uma janela para ampliar o peso das fontes renováveis na oferta de eletricidade. Para a entidade, a evolução tecnológica e a queda de preços do armazenamento tendem a aumentar a previsibilidade e a flexibilidade da geração renovável, com potencial de atender novos perfis de consumo e aproveitar melhor a infraestrutura elétrica já instalada.
Os números divulgados pela associação estão no estudo “24/7 Renewables: The Economics of Firm Solar and Wind”, da Irena, que acompanha a trajetória de custos de sistemas capazes de transformar a geração renovável variável em uma oferta mais previsível ao longo do dia.
Na comparação para 2035, a Índia aparece próxima de US$ 47/MWh, Austrália e África do Sul em torno de US$ 50/MWh, enquanto os Estados Unidos registram o maior valor entre os países analisados, perto de US$ 59/MWh.
A agência ressalta que a métrica usada no levantamento, o custo nivelado de energia firme (Firm LCOE), estima o gasto para fornecer eletricidade com determinado nível de disponibilidade e confiabilidade, levando em conta características do projeto, recursos renováveis e condições de armazenamento. Por isso, trata-se de uma referência por projeto e localidade, não de uma média que possa ser generalizada para todos os empreendimentos de um país.
Um dos principais vetores dessa redução, segundo a Irena, é o recuo dos custos das baterias. Globalmente, os custos dos sistemas de armazenamento caíram 93% entre 2010 e 2024, de US$ 2.634/kWh para US$ 197/kWh. Em locais de alta qualidade solar avaliados, os custos de energia firme ficaram entre aproximadamente US$ 65/MWh e US$ 82/MWh em 2025, com projeção de recuo para a faixa de US$ 37/MWh a US$ 58/MWh em 2035.
No caso brasileiro, uma localidade de alta irradiação na Bahia aparece com cerca de US$ 65/MWh em 2025 e queda estimada para US$ 44/MWh em 2030.
Para a Absolar, a combinação de solar e armazenamento ganha relevância ao permitir deslocar parte da produção para horários de maior demanda, reduzir a necessidade de geração convencional de suporte e ampliar o uso das redes. A entidade cita o crescimento de cargas como data centers, projetos de hidrogênio verde e indústrias eletrointensivas como fatores que aumentam a demanda por uma oferta mais previsível.
“Os resultados mostram que o Brasil reúne condições muito favoráveis para avançar na oferta de energia renovável firme e competitiva. A redução dos custos do armazenamento amplia a capacidade de utilizar o sol de forma mais estratégica, deslocando a geração para os momentos de maior necessidade do sistema”, afirmou em nota o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia.
Na China, por exemplo, a energia solar firme combinada com armazenamento já apresenta custos inferiores aos da geração a carvão e a gás, enquanto outros mercados avançam rapidamente nessa direção.
“Para o Brasil, essa evolução abre espaço para uma nova etapa de expansão das renováveis, na qual a capacidade de produzir energia limpa deixa de ser avaliada apenas pelo custo da geração e passa a incorporar também sua disponibilidade, previsibilidade e capacidade de atendimento à demanda”, concluiu a presidente do Conselho de Administração da Absolar, Bárbara Rubim.
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