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16 de outubro de 2026, às 08:23
São Paulo, 16/10/2026 – A produção agrícola da União Europeia (UE) e do Reino Unido cresce em ritmo inferior ao de importantes concorrentes globais, como Brasil, Estados Unidos, China, Canadá e Índia, e pode perder ainda mais competitividade sem maior acesso dos produtores a novas tecnologias. A conclusão é de um estudo encomendado pela Bayer e elaborado com análises econômicas da Oxford Economics, pesquisa com mais de 8 mil consumidores e entrevistas com cerca de 90 agricultores de oito mercados europeus.
Entre 2011 e 2023, a produção agrícola da União Europeia cresceu, em média, 0,1% ao ano, enquanto o Reino Unido registrou estabilidade, segundo o estudo. No mesmo período, a expansão anual foi de 1% nos Estados Unidos e de 2% na média global. China, Canadá e Índia apresentaram taxas entre 2% e 3%, enquanto o Brasil registrou crescimento médio de 3,3% ao ano. Na comparação com a década anterior, a produção agrícola média europeia avançou apenas 2%, diante de altas de 16% nos Estados Unidos, 44% no Canadá e 51% no Brasil.
O estudo atribui parte dessa diferença ao acesso mais lento dos agricultores europeus a tecnologias de sementes, produtos para proteção de cultivos e ferramentas digitais. O cenário é agravado pelo aumento dos custos dos insumos e pelos impactos das mudanças climáticas. Na União Europeia, as perdas anuais médias associadas a riscos climáticos são estimadas em 17,4 bilhões de euros, equivalentes a 6,4% da produção agrícola do bloco. Até 2050, o valor poderá chegar a uma faixa entre 24,8 bilhões e 28,9 bilhões de euros, diz o estudo.
A desaceleração da produção representa um risco para a segurança alimentar e a autonomia estratégica europeia. Segundo o levantamento, a agricultura contribui com 246 bilhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia e 5,7 bilhões de euros para o PIB do Reino Unido. Cada 1 bilhão de euros em produção agrícola sustenta quase 3 bilhões de euros em produção adicional em outros setores.
Um dos principais entraves identificados pelo relatório é o ambiente regulatório europeu. O número de ingredientes ativos autorizados para proteção de cultivos caiu de mais de 1 mil no início dos anos 2000 para cerca de 420 atualmente. Nos últimos sete anos, 92 ingredientes ativos deixaram de estar disponíveis para os agricultores, enquanto apenas um novo ingrediente ativo sintético chegou ao mercado no período.
O Reino Unido, por sua vez, aprovou desde 2022 quatro ingredientes ativos inteiramente novos que ainda não foram aprovados ou permanecem com autorização pendente na União Europeia. O país também mantém autorizações para 15 ingredientes ativos cujas licenças europeias expiraram ou foram revogadas desde o Brexit. Segundo o estudo, um eventual alinhamento das regras britânicas às europeias poderá afetar essas aprovações, com possíveis impactos sobre a produtividade e a renda agrícola caso a transição não seja bem administrada.
A pesquisa também aponta apoio dos consumidores europeus à modernização da agricultura. Segundo o levantamento, 84% dos entrevistados consideram a segurança alimentar uma questão de segurança nacional, e a mesma proporção defende que os agricultores tenham acesso às tecnologias e inovações mais recentes para melhorar as colheitas e contribuir para a redução dos preços dos alimentos. Além disso, 77% acreditam que a redução da burocracia ajudaria a Europa a produzir alimentos suficientes, enquanto 63% afirmam ter maior probabilidade de votar em partidos que apoiem o uso de ciência e tecnologia pelos produtores rurais.
Para a Bayer, os resultados reforçam a necessidade de tratar a agricultura como um setor estratégico e ampliar o acesso à inovação. O estudo foi realizado em oito mercados europeus – Benelux, França, Alemanha, Itália, Polônia, Romênia, Espanha e Reino Unido – e analisou como novas tecnologias podem contribuir para a produtividade, a competitividade e a resiliência do setor agrícola.
(Equipe AE)
Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
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