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13 de outubro de 2026, às 08:40
Por Júlia Pestana
São Paulo, 13/10/2026 – As vendas do varejo brasileiro cresceram 6,3% no terceiro trimestre de 2026 na comparação com igual período do ano passado, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). Ante o segundo trimestre, o avanço foi de 1,6%. No acumulado de janeiro a setembro, o comércio registra alta de 4,7%.
Em setembro, as vendas recuaram 0,3% ante agosto, embora tenham avançado 5,4% frente ao mesmo mês de 2025. Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, os resultados indicam que o varejo segue em trajetória positiva, apesar de uma acomodação na margem no último mês do trimestre.
“A principal leitura é que a renda continua sustentando o consumo, especialmente nos segmentos mais ligados às necessidades do dia a dia, enquanto as condições de crédito seguem limitando os setores mais dependentes de financiamento”, afirma Freitas.
Segundo o economista, esse cenário ajuda a explicar a recuperação desigual entre os segmentos. Uma eventual melhora das condições financeiras, acrescenta, tende a ser importante para ampliar o ritmo de crescimento.
“Como a transmissão da política monetária ocorre com defasagem, seus impactos mais relevantes sobre o consumo devem aparecer gradualmente”, diz.
Segmentos
No terceiro trimestre, sete dos oito segmentos acompanhados registraram crescimento na comparação anual. O maior avanço veio de combustíveis e lubrificantes, de 14,1%, seguido por hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 10,4%. Artigos farmacêuticos cresceram 5,6%, enquanto livros, jornais, revistas e papelaria avançaram 4,2%.
O único segmento a recuar no período foi o de tecidos, vestuário e calçados, com queda de 3,5% ante o terceiro trimestre de 2025.
Na divisão geográfica, 25 Estados apresentaram crescimento das vendas em setembro ante um ano antes. Roraima liderou, com alta de 19,6%, seguido por Acre, com 13,9%, e Amazonas, com 12,1%. São Paulo registrou avanço de 5,2%. Mato Grosso foi o único Estado com retração, de 1,9%.
Por regiões, o Norte teve a maior expansão, de 10,2%, seguido por Nordeste, com 6,1%; Sul, com 4,4%; Sudeste, com 3,9%; e Centro-Oeste, com 3,4%.
“Os dados regionais mostram que o crescimento do varejo continua disseminado pelo país, mas em ritmos diferentes”, afirma Freitas. Segundo ele, o cenário ainda combina renda sustentando a demanda e condições de crédito que dificultam uma recuperação uniforme entre os setores.
Contato: julia.pestana@estadao.com
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