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9 de outubro de 2026, às 16:20
Por Gabriel Gonçalves, especial para a Broadcast
São Paulo, 09/10/2026 – O ex-candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou nesta sexta-feira, 9, que foi procurado pelo campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir um possível apoio no segundo turno, mas rejeitou a aproximação por ser contrário à reeleição presidencial.
Durante coletiva concedida de Portugal, Cury disse que Lula não o procurou pessoalmente e criticou a tentativa do petista de conquistar um quarto mandato. Na quinta-feira, 8, o escritor oficializou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), após o candidato assumir compromissos com propostas defendidas por ele durante a campanha.
“Sim, houve também procura do outro lado, várias procuras, mas o Lula não me procurou diretamente”, afirmou Cury, ao ser questionado sobre contatos do PT para um eventual acordo.
O escritor relacionou a decisão à sua oposição à reeleição presidencial, que, segundo ele, favorece a permanência de lideranças no poder. “A reeleição, reitero, ela flerta com o populismo, com a autoperpetuação do poder e com a corrupção”, voltou a defender.
Cury afirmou que, mesmo se tivesse sido procurado diretamente por Lula, não aceitaria apoiar a candidatura. “Alguém que já teve três mandatos, já deu o que tinha para dar e quem pede o quarto mandato tem muito pouco a entregar nesse aspecto”, disse.
A crítica ao personalismo político também apareceu no relato de Cury sobre sua conversa com Flávio. Segundo o escritor, o candidato do PL demonstrou disposição para “não fazer um governo baseado no seu ego, baseado no legado familiar”. A avaliação foi apresentada por Cury ao justificar o apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na quinta-feira, o ex-presidenciável anunciou apoio ao candidato do PL após uma conversa entre os dois e a assinatura de um compromisso público com propostas defendidas durante sua campanha. Entre elas estão o fim da reeleição presidencial, a expansão da telemedicina, medidas de proteção às mulheres e uma agenda de pacificação nacional.
Durante a coletiva, Cury também afirmou que pediu a Flávio que, em um eventual governo, não governasse apenas para a direita, mas para todos os brasileiros, incluindo a esquerda.
Questionado sobre a transferência de votos no segundo turno, Cury afirmou que cada eleitor deve decidir individualmente. Disse, porém, acreditar que a divulgação dos compromissos assumidos por Flávio pode levar parte de seus apoiadores a escolher o candidato do PL.
O escritor também reiterou que não pretende ocupar cargos em um eventual governo e que manterá independência para cobrar o cumprimento das propostas. “Agora, meu apoio não é um cheque em branco, em hipótese alguma”, afirmou.
Contato: gabriel.goncalves@estadao.com
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