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7 de outubro de 2026, às 18:00
Por Juliana Garçon
Rio, 07/10/2026 – O setor de serviços financeiros aplica 3% da receita em inteligência artificial (IA) – o triplo do que é investido pelas demais indústrias – e é o mais ativo na experimentação desta tecnologia. No entanto, o retorno e os resultados concretos ficam aquém do potencial. É o que mostra a pesquisa global “IA na estratégia: preparado para escalar”, elaborada pela PwC e revelada em primeira mão ao Broadcast.
O estudo, que se apoiou em respostas de mais de 1.200 executivos de grandes empresas ao redor do mundo, mostrou que o retorno dos investimentos fica aquém do potencial: é de 15%, contra 25% das chamadas “líderes em IA”, empresas com melhor desempenho impulsionado pela tecnologia, que representam 20% do total. Este grupo concentra 74% de todos os ganhos gerados pela IA no mundo corporativo.
“A pesquisa é global, mas os resultados estão muito convergentes com a perspectiva nacional. Isso tem muito a ver com a complexidade que é e a estruturação que é, um banco, seja no Brasil ou fora”, disse Willer Marcondes, sócio e líder de serviços financeiros na Strategy&, consultoria estratégica da PwC Brasil.
Maturidade digital
O levantamento revela um paradoxo sobre a maturidade digital do setor. As instituições financeiras são as mais ativas do mercado na fase de experimentação: 92% das empresas afirmam já ter participado de algum projeto-piloto de IA, superando até os 88% registrados entre as líderes globais e os 83% das demais empresas. O setor também é mais rápido para entregar valor, levando em média 5,5 meses, contra 6 meses das líderes.
Na experiência do cliente, a percepção positiva de 76% das empresas cai para 43% quando questionadas sobre melhorias efetivas na satisfação ou confiança do consumidor. No modelo operacional, a diferença é semelhante: de 64% de percepção de inovação para apenas 36% de transformação real. Apenas 30% das empresas do setor avançaram em novos modelos de negócio ou fluxos de receita a partir da IA, ante 49% das líderes globais.
“Os bancos e setores financeiros têm investido pesadamente em IA – em desenvolvimento de modelos, em estruturação, aplicações -, tipicamente mais focados em resolver problemas de unidades de negócio e áreas ou produtos. Isso gera resultado transformacional numa determinada área ou setor”, afirmou Marcondes.
“Mas os bancos têm dificuldade de se transformar de forma mais ampla usando IA. O produto financeiro tem limitações no aspecto regulatório. As complexidades trazem dificuldade para que se reinvente com IA”, completou.
Entre a média e o potencial
No índice geral de aptidão para IA, que avalia sete setores, o financeiro aparece em terceiro lugar, com pontuação de 5,6 em 10 – praticamente empatado com a mediana global (5,5) e atrás apenas de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (6,1) e de Private Equity e Real Assets (5,8). Mas a posição no ranking esconde uma assimetria: o setor está apenas 17% abaixo dos líderes em fundamentos, porém 30% atrás na aplicação prática da tecnologia. Ou seja, as bases estão construídas – falta usá-las.
A maior lacuna do setor está na chamada convergência setorial, dimensão em que os líderes chegam a ter desempenho 1,41 vez superior. Apenas 20% das instituições financeiras cooperam com empresas de outros setores, ante 50% das líderes, e só 33% colaboram em ecossistemas para capturar novo valor, contra 61%.
O modelo de acesso à tecnologia reforça esse isolamento: 70% do setor compra IA pronta de fornecedores – 20 pontos percentuais acima do praticado pelas líderes -, enquanto o uso de alianças estratégicas e joint ventures fica em apenas 20%, menos da metade dos 41% registrados entre as empresas mais avançadas.
Vantagem competitiva
Se há um fator em que o setor financeiro praticamente empata com as líderes globais é a governança. Com pontuação de 6,7 em 10 contra 7 das líderes – diferença de apenas 0,3 ponto -, a indústria constrói, ano após ano, uma cultura de conformidade. Segundo o levantamento, 68% das instituições já têm processos formais para engajamento com reguladores, ante 70% das líderes, e 66% mantêm segurança robusta de dados e modelos, contra 69%.
O setor de serviços financeiros já reúne muitos dos atributos necessários para liderar a próxima fase da IA: governança sólida, capacidade de inovação e uma posição privilegiada na economia digital, afirma o estudo.
O desafio agora é converter essa base regulatória em diferencial competitivo real. O estudo conclui que o caminho para o setor financeiro se aproximar definitivamente da liderança em IA passa por três frentes já adotadas pelas empresas mais avançadas globalmente: tratar a tecnologia como motor de crescimento – e não apenas de produtividade -; construir as bases certas antes de escalar; e integrar a IA a toda a cadeia de valor, não em projetos isolados, mas nos fluxos de trabalho que sustentam o negócio no dia a dia.
Contato: juliana.garcon@estadao.com
Conteúdo elaborado com auxílio de inteligência artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast.
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