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7 de outubro de 2026, às 15:40
Por Geovani Bucci
São Paulo, 07/10/2026 – Entidades empresariais lideradas pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) buscam a adesão do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a propostas para o próximo governo. A iniciativa combina demandas econômicas, reformas no Judiciário e um apelo pela pacificação do País.
A expectativa é reunir de 4 mil a 5 mil assinaturas na carta pela reconciliação nacional. O programa de governo deve ser entregue pessoalmente a Flávio na próxima semana, por intermédio do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que declarou apoio ao senador na terça-feira, 6. A entrega a Lula ainda está sendo viabilizada.
Em entrevista ao Broadcast Político, o presidente da confederação, Alfredo Cotait Neto, afirmou que os dois candidatos serão convidados a discutir as propostas. A intenção é obter adesão às demandas das entidades em troca de apoio. “Nós temos que entregar para quem tiver interesse”, disse.
Caiado disputou a Presidência pelo Partido Social Democrático (PSD), com Gilberto Kassab, presidente da legenda, como candidato a vice. Kassab também é integrante vitalício do Conselho Deliberativo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), presidida por Cotait.
Em 2024, Kassab, Cotait e o ex-ministro Guilherme Afif Domingos, atual secretário no governo paulista de Tarcísio de Freitas (Republicanos), participaram do lançamento de uma campanha pelo voto distrital, uma das pautas agora citadas pelo dirigente. Afif, presidente emérito da CACB, também participou do lançamento do manifesto.
Segundo Cotait, o programa foi elaborado pelo sistema de associações comerciais em parceria com a Fundação Internacional para a Liberdade Brasil, que tem o ex-ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, como presidente de honra. Segundo ele, a agenda foi construída com Guedes e reúne pautas das entidades, sem constituir um plano de governo completo.
“Tanto faz se ganha um ou ganha o outro [Flávio ou Lula], eu quero é a mudança da pauta”, afirmou.
IPCA e reforma tributária
Na área econômica, a agenda propõe corrigir os limites de faturamento para enquadramento no Simples Nacional e no regime do Microempreendedor Individual (MEI) pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador de inflação. A medida atualizaria os tetos de enquadramento nesses regimes tributários.
Cotait também defendeu ampliar em um ano o prazo de implantação da reforma tributária. Argumentou que pequenas empresas não conseguem se adaptar às exigências no calendário previsto. Entre as propostas políticas, citou a adoção do voto distrital.
O programa será apresentado paralelamente à mobilização em torno da carta “Pela reconciliação, pela liberdade e por um Brasil governado para todos”, divulgada pela Rede Pauta Brasil, liderada pela CACB. O manifesto não cita candidatos ou partidos e defende diálogo permanente, respeito às diferenças e um governo sem exclusões ou favoritismos.
O texto propõe reduzir a burocracia e simplificar impostos, além de cobrar serviços de qualidade em segurança, educação e saúde. No campo institucional, sustenta que Executivo, Legislativo e Judiciário devem atuar dentro dos limites constitucionais, com independência e harmonia.
A rede reúne mais de 2.300 associações comerciais pelo País, segundo Cotait, com empresas vinculadas principalmente ao comércio e aos serviços. O dirigente afirmou que pequenos empresários estão apreensivos com a insegurança jurídica, os juros e a inadimplência.
Judiciário e anistia
Ao explicar o princípio da pacificação, Cotait se posicionou a favor da anistia. Questionado sobre a medida para o ex-presidente Jair Bolsonaro e os condenados pelo 8 de Janeiro, disse que ela poderia abrir caminho para a conciliação. “Eu acho que a anistia é o primeiro passo para você começar a conciliar o País”, afirmou.
O dirigente argumentou que os dois lados precisam ceder para chegar a um entendimento. Não detalhou o alcance da anistia que defende nem informou se a proposta integra o programa a ser apresentado aos candidatos.
No Judiciário, sugeriu rever os critérios de indicação dos futuros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com idade mínima de 60 anos e experiência anterior como juiz. Para ele, a maior experiência daria mais segurança às decisões.
Cotait disse que a discussão também deveria alcançar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apresentou as sugestões como ideias, sem confirmar que estejam no programa.
“A nossa posição é que nós vivemos numa insegurança jurídica muito grande. Isso tem comprometido muito os negócios, o crescimento econômico”, afirmou. Criticou mudanças de regras decididas em Brasília sem consulta aos empresários, mas não apontou decisões judiciais específicas.
Na avaliação política do dirigente, o resultado do primeiro turno das eleições levou a uma “mudança radical” no Congresso, com maior espaço para pautas da direita. Ele afirmou que, caso seja reeleito, Lula terá de adaptar sua postura à nova composição do Legislativo.
Cotait sustentou que a manutenção do rumo atual levaria a um confronto com o novo Congresso e a um “desastre total”.
Contato: geovani.bucci@estadao.com
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