Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Abiove: capacidade de processamento de oleaginosas no Brasil cresce 13,1% em 2026

6 de outubro de 2026, às 08:24

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 06/10/2026 – A capacidade instalada de processamento de oleaginosas no Brasil, isto é, o volume que as fábricas conseguem esmagar em operação plena para produzir farelo e óleo, cresceu 13,1% em 2026, para 261.868 toneladas por dia, o equivalente a cerca de 86,4 milhões de toneladas por ano. Os dados são da Pesquisa de Capacidade Instalada das Indústrias de Óleos Vegetais, divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Segundo a entidade, o avanço acompanha a demanda por farelo e óleo, este último impulsionado pelo biodiesel.

Nas plantas em operação, a capacidade foi de 255.544 toneladas por dia, alta de 16,2% sobre a pesquisa anterior. As unidades paradas somam 6.324 toneladas por dia. O número de plantas ativas subiu de 131 para 148 (+13,0%), e o de paradas caiu de 12 para 6. A pesquisa registra ainda 3 plantas em construção, ante 6 no levantamento anterior.

O número de empresas de processamento passou de 75 para 89, avanço de 18,7%, e o de unidades industriais, de 149 para 157, alta de 5,4%.

Em nota, o diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral, atribuiu o resultado à demanda. “O salto expressivo de mais de 13% reflete a resposta da indústria para atender ao aumento da demanda por farelo e óleo, este último impulsionado pelo biodiesel. Esse resultado reafirma o preparo do parque industrial brasileiro para agregar valor à safra e fortalecer nossa inserção nos mercados globais de derivados”, afirmou.

O Centro-Oeste concentra 42,9% da capacidade nacional de processamento. A região passou de 102.705 toneladas por dia em 2025 para 112.288 toneladas por dia em 2026. Entre os Estados, Mato Grosso lidera, com 56.559 toneladas por dia, o equivalente a 21,6% do total do País.

O refino, etapa em que o óleo bruto é tratado para chegar ao consumo, teve avanço menor. A capacidade subiu 2,5%, de 25.768 para 26.425 toneladas por dia, o que equivale a um crescimento de cerca de 8,5 milhões para 8,7 milhões de toneladas por ano. O número de empresas de refino aumentou 2,6%, para 39, e o de unidades industriais passou de 66 para 67 (+1,5%). As plantas de refino ativas ficaram estáveis em 60, e as paradas subiram de 6 para 7.

Já o envase, etapa em que o óleo é colocado nas embalagens, manteve a capacidade estável em 14.811 toneladas por dia, o equivalente a cerca de 4,9 milhões de toneladas por ano.

Levantamento da Abiove junto às empresas, com base também em comunicados ao mercado, mapeou projetos de expansão e de implantação de novas unidades que somam cerca de R$ 7,65 bilhões em investimentos. Se concluídos, os projetos podem acrescentar cerca de 22.550 toneladas por dia à capacidade de processamento, o equivalente a aproximadamente 7,4 milhões de toneladas por ano. O volume representa cerca de 8,6% da capacidade instalada atual.

Segundo a entidade, os projetos estão associados à geração estimada de 1.350 empregos diretos e 12.100 indiretos, cerca de 13,4 mil postos de trabalho. Amaral também comentou o volume de recursos em nota. “O volume expressivo de recursos previstos é a prova da visão de longo prazo da indústria no país. Além de modernizar a infraestrutura e elevar a oferta de produtos de alto valor agregado, esse ciclo de expansão traz um impacto social direto, gerando milhares de oportunidades de trabalho e fomentando a economia regional”, afirmou.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

Veja também