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5 de outubro de 2026, às 15:50
Por Gabriel Gonçalves, especial para a Broadcast
São Paulo, 5/10/2026 – Segundo colocado na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, o ex-prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), atribuiu nesta segunda-feira, 5, a vantagem de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno à nacionalização da eleição estadual e ao “voto casado” com a corrida presidencial. Em vídeo publicado no Instagram, o ex-prefeito afirmou que sua estratégia para o segundo turno será tentar separar as duas escolhas e pediu votos para governador “independentemente” do candidato escolhido para presidente.
Com 100% das urnas apuradas, Ruas recebeu 4.271.199 votos, ou 49,27% dos válidos, enquanto Paes teve 3.706.984, equivalente a 42,76%. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou os dois como os mais votados e marcou o segundo turno para 25 de outubro.
Paes iniciou o vídeo agradecendo aos mais de 3,7 milhões de eleitores que votaram nele e afirmou que começa agora uma “caminhada rumo à vitória no segundo turno”. Em seguida, disse não ter sido surpreendido pelo avanço de Ruas e afirmou ter alertado durante a campanha para uma nacionalização da eleição estadual.
“Eu avisei que eles iam nacionalizar a eleição para governador, que iam enganar mais uma vez o eleitor, que iam surfar na onda da campanha presidencial. Foi exatamente o que aconteceu. Voto casado, como se presidente e governador fossem uma coisa só. Mas não é”, afirmou.
A tentativa de descolar as duas disputas apareceu novamente no fim da manifestação. “Independentemente do número que você for votar para presidente, para libertar o Rio de Janeiro, você precisa apertar o 55 para governador”, disse Paes.
O candidato do PSD também buscou associar Ruas à atual administração estadual. Chamou o adversário de “completo desconhecido” e afirmou que ele integra o grupo político responsável pelo governo dos últimos oito anos. Mais adiante, disse que Ruas foi “braço direito” do governador Cláudio Castro e tentou transformar temas como segurança pública, transporte e saúde em eixo da disputa do segundo turno.
“Lembra de cada pessoa que você conhece que foi vítima de violência, que foi assaltada, teve o celular roubado. Lembra do trem que você pega hoje lotado, dos ônibus sucateados. Lembra da espera de meses, de anos na fila para uma cirurgia num hospital do Estado”, afirmou. Na sequência, disse que “os responsáveis por tudo isso têm uma candidatura, a candidatura de Douglas Ruas”.
Paes também afirmou que sua campanha é a única das duas que representa “mudança” e contrapôs sua passagem pela Prefeitura do Rio à trajetória política do adversário. No vídeo, fez ainda acusações contra Ruas relacionadas a investigações e enriquecimento, sem apresentar elementos para sustentá-las na gravação.
“Não existe missão mais importante para quem é cidadão fluminense que impedir que Douglas Ruas e seus aliados, que são o mesmo grupo do governador Cláudio Castro, retomem o poder”, declarou.
O pronunciamento foi publicado pouco tempo antes de o candidato Anthony Garotinho (Republicanos) desistir do recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura ao governo do Rio. A desistência abre caminho para uma eventual vitória de Ruas ainda no primeiro turno: caso os votos dados a Garotinho sejam excluídos da totalização, o candidato do PL, que terminou a apuração com 49,27% dos votos válidos, ultrapassaria a marca de 50%. Nesta segunda-feira, antes da divulgação da desistência, Ruas já havia afirmado esperar ser proclamado vencedor no primeiro turno.
Contato: gabriel.goncalves@estadao.com
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