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7 de outubro de 2026, às 12:52
Por Circe Bonatelli
São Paulo, 07/10/2026 – A queda nas taxas de juros da economia brasileira é fundamental para garantir a expansão do crédito imobiliário nos próximos anos, afirmaram executivos de Itaú BBA e XP, que participaram de um debate sobre o tema nesta quarta-feira, 7.
“Quando olhamos para frente, vemos que a alavanca do crescimento do financiamento depende da redução da taxa de juros. Ela impacta de forma relevante a composição do funding e o affordability do comprador de imóvel”, afirmou Bruno Bianchi, diretor de real estate do Itaú BBA.
Bianchi observou que o volume de lançamentos e vendas de imóveis, assim como a demanda por financiamento, cresceram nos últimos anos cerca de seis vezes mais que a oferta de recursos da caderneta de poupança – que, tradicionalmente, é a principal fonte de recursos para o crédito habitacional.
A demanda por financiamentos só foi suprida graças a outras fontes de recursos, entre eles as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Fundos de Investimento Imobiliário (FII). Juntos, esses instrumentos já representam mais da metade das fontes de recursos para os financiamentos, ressaltou Biachi.
Por outro lado, o custo do capital desses instrumentos está diretamente atrelado ao CDI, que acompanha a Selic, atualmente em 13,75%. Trata-se de um custo bem acima da remuneração da poupança, na ordem de 8,16%. Na prática, há recursos para abastecer os empréstimos, mas a um custo bem maior para o tomador final, o que limita um crescimento mais vigoroso do setor.
O diretor de real estate do Itaú BBA disse que a reação positiva do mercado na segunda-feira, 5, após o primeiro turno das eleições, se traduziu em uma redução na ordem de 150 bps na curva de juros futuros. “Isso traz a perspectiva de uma composição de custo muito positiva”, disse. “A queda [nos juros dos financiamentos] não depende unicamente da Selic hoje. O mais importante é a taxa pré futura para os próximos três a quatro anos”, afirmou.
“Todos ficamos mais animados com a perspectiva de juro menor. Precisamos endereçar a questão do ajuste fiscal para ter uma taxa de juro menor e mais dequada para o crescimento do mercado imobiliário e do País”, emendou o executivo do Itaú BBA.
O diretor de real estate da XP, Bruno Gargiolli, reforçou a visão de que o crescimento do mercado imobiliário depende da redução dos juros no País e da oferta de financiamento a taxas menores.
“Com o juro mais baixo, naturalmente vai se prover condições para o mercado de capitais ser uma opção”, ressaltou. “O mercado e capitais vai viabilizar que gestores, bancos e os próprios incorporadores sejam os vetores desse processo de crescimento”.
O executivo da XP também destacou a importância dos instrumentos como LCIs, LIGs, CRIs e FIIs na composição do crédito imobiliário, ponderando que o mercado de capitais é um “complemento, não um substituto” do financiamento bancário tradicional.
Na sua avaliação, o primeiro passo do mercado de capitais é ser um reciclador das carteiras bancárias e de empresas que concedem o financiamento direto aos compradores de imóveis, ou de modalidades como o pro soluto (crédito para facilitar o valor da entrada).
Mais adiante, o mercado de capitais pode ter um peso maior no financiamento do comprador de imóveis. Hoje, o setor já fornece recursos para a produção de empreendimentos imobiliários. “O financiamento de pessoas físicas através do mercado de capitais pode ser uma grande vertente de um novo ciclo virtuoso, com juros baixos”, estimou.
As declarações ocorreram durante o Incorpora 2026, evento anual organizado pela Abrainc que reúne empresários e autoridades públicas.
Contato: circe.bonateli@estadao.com
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