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9 de outubro de 2026, às 17:37
Por Antonio Perez
São Paulo, 09/10/2026 – O dólar exibiu queda firme nesta sexta-feira, 9, e voltou a fechar abaixo de R$ 5,00 após dois pregões. Além do ambiente externo de apetite ao risco, que levou à valorização de pares do real, a taxa de câmbio voltou a responder ao aumento das chances de Flávio Bolsonaro conquistar o Palácio do Planalto. A vitória da oposição é vista como fundamental para uma mudança na política fiscal a partir de 2027.
Pesquisas de intenção de voto para o segundo turno – Datafolha e AtlasIntel/Bloomberg – mostraram Flávio Bolsonaro à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A revelação de um suposto áudio em que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirma ter repassado recursos para a produção de um documentário sobre Lula teria contribuído para a percepção de favoritismo de Flávio, segundo operadores.
Após mínima de R$ 4,9766, no início da tarde, o dólar à vista terminou a sessão em baixa de 0,78%, a R$ 4,9851. O real apresentou hoje segundo melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, atrás apenas do peso colombiano. A moeda americana termina a primeira semana após o primeiro turno das eleições com perdas de 4,44% no mercado local, o que faz o real exibir os maiores ganhos no período entre todas as divisas. No ano, o dólar recua 9,18%.
“Depois de uma realização de lucros nos últimos dias, o dólar voltou a cair abaixo de R$ 5,00 com as pesquisas eleitorais. Existe a esperança de uma reformulação completa da política fiscal e econômica”, afirma o head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento. “Se o dólar vai continuar caindo e ir para R$ 4,70 depende do plano econômico, que ainda não foi apresentado. O candidato [Flávio] chega ao segundo turno sem equipe formada.”
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia 0,08%, em meio às perdas do iene e do euro, que recuou ao menor nível em mais de dois anos. As taxas dos Treasuries de 10 e 2 anos voltaram a subir. Os preços do petróleo fecharam em ligeira alta, mas passaram a recuar no pregão eletrônico após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo com o líder russo, Vladimir Putin, para o fornecimento imediato de mais de 300 mil toneladas de diesel.
O diretor de investimentos da Azimut Brasil, Marco Mecchi, alerta para o impacto do estreitamento do diferencial de juros reais entre Brasil e EUA sobre o comportamento da taxa de câmbio. Enquanto a taxa real americana sobe, a brasileira recua de forma expressiva, em grande parte devido à diminuição do prêmio de risco, em razão da perspectiva de alternância de poder. Além da expectativa de mais aperto monetário pelo Federal Reserve, há uma disputa mais acirrada por capital em razão dos investimentos das empresas em tecnologia, o que pressiona os juros globais para cima.
“Ainda há espaço para o juro real do Brasil cair após o segundo turno, diminuindo ainda mais o diferencial de juros. Não temos mais aquele ‘carry’ que vimos nos últimos meses. E isso pode ser um impeditivo para a apreciação do real”, afirma Mecchi, que não vê espaço para uma nova onda de queda da taxa de câmbio. “O real pode até se apreciar um pouco no curto prazo, com o dólar batendo em R$ 4,90, mas o grande movimento já ocorreu.”
Para o estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, Mark McCormick, a perspectiva de nova alta de juros pelo Fed neste ano tende a limitar o fôlego do real. Ele avalia que a apreciação da moeda brasileira após o primeiro turno das eleições foi “rápida e forte” demais.
“O resultado das eleições não é um plano fiscal. Bolsonaro conta com uma coligação maior do que a esperada, mas o corte de gastos esbarra em indexação constitucional, transferências asseguradas e pouca margem para reduzir despesas discricionárias”, afirma McCormick, que vê a taxa de câmbio retornando ao nível de R$ 5,10 antes do fim do ano.
Contato: antonio.perez@estadao.com
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