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14 de outubro de 2026, às 23:00
Por Eduardo Laguna
São Paulo, 14/10/2026 – Entidades da indústria lamentaram a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais, sem diminuição do salário. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz que a conta será paga por toda a sociedade, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta aumento nos custos de produção e impacto na inflação.
Em nota assinada pelo presidente da entidade, Paulo Skaf, a Fiesp lembrou que sempre defendeu o debate fora do calendário eleitoral, para que a proposta de redução da jornada de trabalho não se transformasse numa ‘PEC Boca de Urna’.
“É importante relembrar que nenhum país no mundo engessou a escala de trabalho na sua Constituição. Decisões açodadas têm um preço alto. E, infelizmente, essa conta será paga por toda a sociedade”, lamentou a Fiesp.
A CNI classificou como preocupante a aprovação da PEC, e disse que a medida, também considerada um “retrocesso”, causará perdas econômicas, demissões, repasse de custos para a população e inflação em todo o País.
“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A CNI frisa ainda, em seu posicionamento, que a redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, elevará os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões, resultando em uma queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 76,9 bilhões.
Os dados da entidade apontam também que os preços para o consumidor terão alta de 6,2% em média, impactando as compras em supermercado, que podem ficar 5,7% mais caras. Os produtos industrializados terão alta média de 6%, sendo que no caso de roupas e calçados o aumento dos preços pode alcançar 6,6%, afirma a CNI.
Contato: eduardo.laguna@estadao.com
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