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Com dívidas de R$ 17 bilhões, Casas Bahia pede recuperação judicial

Em 2023, o grupo fechou de 55 lojas, reduziu 8,6 mil postos de trabalho e cortou mais de R$ 1 bi dos estoques

17 de agosto de 2026

Júlia Pestana e Gabriel Baldocchi

O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial com R$ 17,322 bilhões em créditos sujeitos ao processo. A ação inclui a companhia e nove subsidiárias e foi apresentada à Justiça de São Paulo neste domingo, 16.

Do total de créditos sujeitos à recuperação judicial, R$ 16,414 bilhões correspondem a dívidas quirografárias, sem garantia real. Outros R$ 754,5 milhões são créditos trabalhistas, enquanto R$ 153,8 milhões são devidos a microempresas e empresas de pequeno porte.

Na petição, a Casas Bahia afirma enfrentar “a pior crise financeira desde a sua fundação”. Segundo a empresa, a situação decorre da alta dos juros, da inflação, da perda de poder de compra das famílias e do aumento da inadimplência, além dos investimentos realizados em tecnologia, logística e comércio eletrônico.

A companhia afirma que a elevação dos custos financeiros passou a consumir uma parcela relevante dos resultados e da geração de caixa. O modelo de negócios da varejista exige capital de giro elevado e depende de operações de crédito ao consumidor, risco sacado com fornecedores e dívida para financiar estoques.

Em 2023, o grupo iniciou uma reestruturação que incluiu o fechamento de 55 lojas deficitárias, a redução de cerca de 8,6 mil postos de trabalho, um corte superior a R$ 1 bilhão nos estoques e a diminuição de aproximadamente 60% dos investimentos.

No ano seguinte, a Casas Bahia recorreu a uma recuperação extrajudicial para alongar R$ 4,8 bilhões em principal e juros de dívidas financeiras que venceriam entre 2024 e 2027.

Em 2025, a Mapa Capital assumiu o controle da varejista, com cerca de 85,5% do capital, após converter debêntures em ações em uma operação que reduziu a dívida corporativa em R$ 1,6 bilhão. Embora classifique a renegociação como “exitosa”, a empresa afirma que as dificuldades econômico-financeiras persistiram.

Como parte da nova etapa de reestruturação, o grupo informa que está demitindo cerca de 3 mil funcionários e fechando quase 300 lojas em agosto. A companhia sustenta, porém, que a crise é temporária. “Trata-se de desequilíbrio conjuntural, e não estrutural”, afirma na petição.

A Casas Bahia também pediu proteção contra o vencimento antecipado de contratos que somam mais de R$ 10 bilhões. Segundo a empresa, as obrigações de pagamento desses contratos estão em dia, mas cláusulas vinculadas ao pedido de recuperação poderiam tornar os valores imediatamente exigíveis.

Entre as medidas solicitadas estão a suspensão de execuções e bloqueios por 180 dias, a manutenção da entrega de mercadorias já compradas, a preservação de contratos considerados essenciais e a proibição da tomada de estoques oferecidos em garantia.

A relação apresentada à Justiça também inclui créditos não sujeitos à recuperação (extraconcursais). Nessa categoria, aparecem R$ 2,622 bilhões devidos ao banco Digio, R$ 2,392 bilhões ao Banco do Brasil e R$ 1,504 bilhão ao Bradesco. O Digio e o Banco do Brasil também têm créditos sujeitos ao processo, de R$ 655,6 milhões e R$ 598,1 milhões, respectivamente.

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