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Dirigentes dão indicações de que taxas de juros serão mantidas altas ou ainda poderão ser mais elevadas
30 de junho de 2026, às 11:36
Por Pedro Lima, Isabella Pugliese Vellani, Thais Porsch e Darlan de Azevedo
Os integrantes dos bancos centrais da Europa e dos Estados Unidos têm feito reiterados alertas sobre os riscos para a inflação global, impulsionada pelos preços do petróleo. Nesse sentido, não faltam indicações de que podem manter elevadas ou aumentar mais as taxas de juros. Na Europa, o dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, afirmou hoje que há uma probabilidade de a inflação da zona do euro permanecer em um nível elevado e significativamente acima da meta inflacionária de 2%, em razão dos efeitos persistentes do choque nos preços de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio.
Segundo Nagel, o aumento das taxas promovido pela autoridade monetária em junho foi a decisão mais correta, tendo como base as projeções do banco. “Agora temos de esperar. A situação ainda é muito opaca. Está estável ou não no Oriente Médio? Não sabemos”, afirmou ele, reconhecendo que a recente queda dos preços do petróleo surpreendeu o mercado, mas ponderou que ainda é cedo para concluir que as pressões inflacionárias diminuíram de forma duradoura.
Já a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a projeção da autoridade monetária indicava que a inflação retornaria à meta apenas no último trimestre de 2027. E isso, disse, estava condicionado a um ajuste da política monetária. “Nossa análise mostrou que manter as taxas de juros inalteradas teria deixado a inflação acima de 2% em 2027 e 2028”, explicou ela em discurso preparado para um evento do BCE na cidade de Sintra, em Portugal.
Lagarde também ligou diretamente a tensão geopolítica à inflação na zona do euro. Segundo ela, a guerra no Oriente Médio gerou pressões inflacionárias significativas. A sensibilidade a choques de energia e custos de transporte pode contaminar preços ao consumidor e expectativas de inflação. Na avaliação dela, é provável que a economia tenha de lidar com choques que afastem a inflação da meta nos próximos anos, sugerindo uma política monetária preparada para reagir a episódios recorrentes de pressão inflacionária.
Para o economista-chefe do BCE, Philip Lane, os preços do petróleo para 2027 e 2028 ainda devem ficar acima dos níveis de antes do início do conflito, ou seja, no fim de fevereiro passado. Ele evitou dizer se é preferível realizar um novo aperto monetário em julho ou em setembro e adotou uma abordagem cautelosa, ao dizer que aguardará a leitura dos dados até as próximas reuniões.
A integrante externa do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE), Swati Dhingra, chama a atenção para o fato de que o conflito no Oriente Médio é um lembrete de que a inflação é frequentemente impulsionada por forças além do alcance da política monetária. Segundo ela, a recente alta nos preços da energia expôs mais uma vez a vulnerabilidade das economias a choques geopolíticos e as escolhas difíceis criadas para os bancos centrais. “A segurança energética, as mudanças climáticas e a transição verde tornaram-se determinantes cada vez mais importantes para a estabilidade dos preços”, disse na semana passada durante discurso no Instituto de Recursos Mundiais, em Londres.
Para ela, apertos na política monetária ajudam a evitar que choques de preços temporários se incorporem nas expectativas de inflação e no comportamento de definição de salários. “Mas eles não podem resolver a escassez subjacente de energia ou alimentos que deu origem a esses choques”, explicou.
A inflação medida pelo PCE (gastos de consumo pessoal, em inglês) nos Estados Unidos está acima de 2% há 63 meses consecutivos, segundo a agência de classificação de risco Fitch Ratings. Em relatório, a empresa compara o número ao início dos anos 1990 e ao ciclo de 30 meses que terminou em setembro de 2006.
Segundo a agência, o choque global do petróleo interrompeu o avanço observado na direção da meta americana, de 2%. Em entrevista coletiva neste mês, o presidente do Fed, Kevin Warsh, mencionou que a inflação ficou bem acima do objetivo por mais de cinco anos. De fevereiro a maio, a inflação ao consumidor (CPI) subiu de 2,4% para 4,2% e a inflação pelo PCE avançou de 2,9% para 4,1%.
A Fitch atribui o movimento ao aumento dos preços de energia após a alta do petróleo com o início do conflito entre EUA e Irã e a restrição às exportações do Oriente Médio com o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.
A Fitch também cita impactos em outras economias. Na zona do euro, o CPI foi a 3,2% em maio (de 1,9% em fevereiro), e no Canadá a 3,2% (de 1,8%). Entre emergentes, o CPI subiu para 4,7% no Brasil (de 3,8%), 3,9% na Índia (de 3,2%), 4,5% na África do Sul (de 3%) e 3,1% na Polônia (de 2,1%).
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