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Estudo do Itaú aponta leve piora no casamento entre trabalhadores e vagas

A taxa de desemprego orbita ao redor da mínima histórica e o mercado de trabalho vem sendo acompanhado de perto pelo BC

11 de agosto de 2026

Cícero Cotrim

O mercado de trabalho brasileiro continua apertado, mas tem desacelerado em linha com os fundamentos econômicos e com sinais de restrição de oferta apenas em setores específicos – a construção civil e o comércio -, segundo estudo da equipe econômica do Itaú Unibanco obtido com exclusividade pela Broadcast.

O comportamento do mercado de trabalho vem sendo acompanhado de perto pelo mercado e pelo próprio Banco Central. A taxa de desemprego orbita ao redor da mínima histórica, depois de ter caído expressivamente nos últimos dois anos, enquanto o saldo de criação de empregos no Caged tem desacelerado, mas continua no positivo.

A principal questão que o banco tenta responder é se essa combinação de fatores aponta para um arrefecimento do mercado de trabalho por escassez de oferta, que poderia gerar pressões salariais (e, consequentemente, na inflação) à medida que empresas competem por trabalhadores, ou por causa do arrefecimento gradual da atividade econômica.

Cinco pontos teriam de estar presentes simultaneamente para consolidar um quadro de restrição de oferta: desemprego baixo, muitas vagas em aberto nas empresas, queda das contratações, maior dificuldade de preenchimento de vagas e pressão por aumento de salários.

Os primeiros quatro fatores foram identificados pelo Itaú no nível agregado, com a taxa de desemprego abaixo do nível neutro (Nairu) estimado pelo banco, entre 7% e 8%, há mais de dois anos e contratações abaixo dos fundamentos da economia. Mas o crescimento da renda não sustenta um diagnóstico de restrição de oferta no agregado.

Segundo a economista do Itaú. Natalia Cotarelli, uma das autoras do estudo, há evidências de uma piora no casamento entre trabalhadores e vagas, mas os sinais ainda são fracos para a economia em geral. Quando abertas por setores, no entanto, elas mostram um quadro convincente de restrição de oferta no comércio e na construção civil.

“A preocupação maior nesses setores é a forma como eles podem pressionar salários”, diz Cotarelli. “Quando olhamos outras evidências, como as pesquisas da FGV, esses são os setores que têm aumentado as reclamações com relação ao custo de contratação de mão de obra.”

São setores que precisam ser acompanhados com atenção nos próximos meses, diz a economista, diante da expectativa de desaceleração do mercado de trabalho agregado. O Itaú espera um aumento da taxa de desemprego a 5,5% no fim deste ano, de 5,4% no segundo trimestre, e a 6,1% em 2027.

“A gente ainda continuaria abaixo da Nairu pelos próximos anos”, diz Cotarelli. As projeções consideram que o crescimento do PIB brasileiro vai desacelerar de 1,9% em 2026 para 1,5% em 2027, puxado pela política monetária restritiva e por uma queda do impulso fiscal à atividade, de 1% este ano para 0,5% no próximo.

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