Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Agentes de Inteligência Artificial vão transformar pagamentos corporativos

Para Ivy Lee, executiva da Visa, quanto mais burocracia envolvida nesses processos, maior a vantagem em automatizá-lo

26 de junho de 2026

Por Aramis Merki II*

Com o objetivo declarado de ampliar a participação em pagamentos corporativos, a Visa tem como estratégia ampliar a oferta de agentes de inteligência artificial para este segmento. Para Ivy Lee, vice-presidente global de soluções comerciais com agentes de IA da companhia, quanto mais etapas manuais e burocracia envolvidas em um processo de pagamento, maior a vantagem em automatizá-lo. “Agentes de IA podem fazer mais para transformar esse tipo de transação justamente pela quantidade de fricção e dor que existe hoje nos processos B2B (acrônimo em inglês que significa ‘empresa para empresa’), afirma Lee.

O argumento ganha peso quando se observa a dimensão do mercado. O volume financeiro movimentado em transações comerciais, incluindo operações entre empresas, de governos para governos e de governos para empresas, supera o de consumo, o que implica uma oportunidade proporcionalmente maior para a Visa, aponta a executiva.

Lee ressalta que entes públicos também têm buscado eficiência e avaliam o uso de agentes. A prontidão para absorver essa transformação, porém, varia por região. Partes da Europa, como a Alemanha, ainda operam de forma predominantemente manual. Na Ásia-Pacífico, Singapura e China avançam rapidamente. Nos Estados Unidos e, em especial em São Francisco, a adoção de agentes em pagamentos já ocorre em ritmo acelerado.

Para o B2B, o CEO global, Ryan McInerney, e o líder de produtos, Jack Forestell, já sinalizaram publicamente que enxergam o segmento como a maior oportunidade, não apenas pelo volume de pagamentos, mas pela quantidade de processos existentes nas operações atuais. A estratégia começa pelo pagamento de faturas, contas a pagar e transações mais simples, onde agentes já atuam com supervisão humana.

A Visa está concentrada em ferramentas para o que chama de “comércio agêntico”, o estágio em que os agentes de IA são assistentes de compra e podem até mesmo realizar transações pelos usuários. A companhia anunciou parceria com a OpenAI para viabilizar a ferramenta. A Visa informa que não há exclusividade com a criadora do Chat GPT, portanto, a tendência é que os produtos sejam usados também em outras plataformas de IA generativa. O projeto já está em fase de testes avançados nos Estados Unidos, com usuários reais, embora o calendário para expansão global ainda dependa de aprovações regulatórias.

No último ano, o time de produtos se dedicou a desenvolver ferramentas voltadas à arquitetura dos agentes. Por exemplo: mecanismos para verificar a autenticidade e o nível de confiança dos sistemas, soluções para que plataformas de e-commerce sejam reconhecidas como confiáveis, e um modelo de análise de transações (chamado internamente de Large Transaction Model) calibrado para identificar potenciais fraudes.

Para a automação de pagamentos de empresas, a Visa já atua em parceria com a fintech americana Ramp, voltada à gestão de despesas corporativas. No modelo em teste, agentes realizam pagamentos de faturas de forma autônoma dentro de parâmetros definidos pelo próprio usuário, como valor mínimo, máximo e prazo de vencimento.

*O repórter viajou a convite da Visa.

Veja também