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Consultores independentes analisam se empréstimo seria mais barato ao fundo do que cobertura de garantias a depositantes
24 de junho de 2026
Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior
O resgate financeiro do Banco Digimais, envolvendo um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao potencial comprador, voltou aos holofotes após a operação da Polícia Federal que apura fraudes contra o sistema financeiro e determinou a busca e apreensão de até R$ 670 milhões do bispo Edir Macedo, dono da instituição. A Broadcast apurou que o FGC segue com estudos em torno da viabilidade econômica de tal transação, os quais estão em estágio inicial.
Por outro lado, fontes afirmam que o BTG Pactual, que assinou um acordo de intenção de compra do Digimais no início de abril, pode desistir de ficar com a instituição, em razão de as condições precedentes à aquisição não terem sido cumpridas. A venda do Digimais seguiria novas regras do FGC, publicadas em janeiro deste ano, prevendo a realização de um leilão de venda de instituições em dificuldades financeiras. Além do leilão, o FGC deveria fazer um empréstimo para viabilizar a troca de controle. Em 2010, a venda do Banco Panamericano, que pertencia ao empresário Silvio Santos, foi viabilizada por um empréstimo do FGC.
Segundo fontes, os estudos do FGC estão sendo feitos por consultores independentes, para avaliar se o empréstimo seria mais barato ao fundo do que a cobertura de garantias a depositantes em caso de uma eventual liquidação. Até dezembro do ano passado, o Digimais tinha R$ 9,2 bilhões em depósitos a prazo, dos quais a grande maioria, R$ 8,6 bilhões, estavam em CDBs. O FGC dá cobertura de até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado, até o teto de R$ 1 milhão. No balanço de 2025, o Digimais cita que seus parceiros de distribuição são Nubank, XP, BTG, Ágora, Itaú Corretora e Inter.
Ao anunciar o acordo, no começo de abril, o BTG comunicou que a conclusão da operação estava condicionada ao lançamento do processo, à declaração da proposta do BTG como vencedora e à obtenção de aprovações regulatórias, incluindo o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Este leilão para venda de bancos passou a ser permitido por mudanças feitas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nas regras de funcionamento do FGC. As medidas publicadas em janeiro deste ano ampliam o escopo de atuação do FGC em situações consideradas de dificuldade financeira relevante de instituições financeiras. Isso inclui o suporte a operações de mudança de controle societário da instituição em crise para evitar sua quebra.
Em 2025, o Digimais teve lucro de R$ 31 milhões, com retorno patrimonial (ROE) de apenas 4,2%, um dos menores do mercado financeiro.
O índice de Basileia, que mede a capitalização do banco e sua capacidade de empresas, fechou 2025 em 12,08%, acima do mínimo de 11% exigido pelo Banco Central. O indicador era projetado para aumentar para 13,5%, por conta de um aporte feito por Edir Macedo, de R$ 250 milhões, em dezembro, mas só aprovado pelo Banco Central em março de 2026.
A taxa de inadimplência do banco de Edir Macedo estava bem acima da média do mercado, em 12,37%, considerando atrasos acima de 90 dias. O banco teve uma série de problemas em carteiras como financiamento de veículos, que fez a inadimplência disparar, chegando a 43% ao final de 2022.
Um dia antes da operação da Polícia Federal a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou as notas do banco e ao mesmo tempo retirou todas as classificações, pelo que classificou em comunidado de falta de informações financeiras suficientes, confiáveis e verificáveis.
Para justificar o rebaixamento, a agência cita o default do banco de Edir Macedo como uma possibilidade real: “impulsionado por incertezas consideráveis em relação ao perfil financeiro do Digimais”.
Procurado, o BTG não se pronunciou. O Digimais não retornou até o fechamento desta reportagem.
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