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23 de setembro de 2026
Por Talita Nascimento
São Paulo, 23/09/2026 – A Suzano comunicou a clientes um novo reajuste no preço da celulose a partir de outubro: alta de US$ 20 por tonelada para China e demais países asiáticos e de US$ 50 por tonelada para América do Norte, América Latina e Europa – onde o preço subiria para US$ 1.360 por tonelada. O movimento marca o segundo aumento consecutivo, após a alta que passou a valer em setembro, e reforça a leitura de um cenário mais positivo para a commodity no curto prazo. Antes desse ciclo, o último aumento para clientes chineses havia sido anunciado em março, com vigência a partir de abril.
A demanda chinesa é o ponto central de uma expectativa melhor do que a que as principais empresas brasileiras do setor vinham projetando para o fim de 2026. Analistas apontam que, após cerca de quatro meses de queda nos volumes e de compras travadas por negociações prolongadas, os compradores chineses voltaram ao mercado para recompor estoques antes do quarto trimestre, sazonalmente mais forte.
O Itaú destaca que os inventários dos clientes recuaram e que alguns produtores integrados – que direcionam a produção para linhas de derivados – retomaram a compra de celulose de mercado, voltando a importar o insumo. Em relatório, o analista do Itaú BBA Daniel Sasson, responsável pela cobertura de papel e celulose, afirmou que a Suzano foi explícita, em conferência organizada pelo banco, ao dizer que sua visão para o fim do ano era mais pessimista, mas que o cenário mudou.
“A disciplina de oferta também ajudou: 1,3 milhão de toneladas de capacidade (principalmente de fibra longa) foi fechada de forma permanente nos primeiros oito meses de 2026, e o atraso do OKI II [projeto de expansão industrial de celulose de fibra curta localizado na Indonésia] forçou as papeleiras chinesas a recompor estoques mais cedo”, escreveu Sasson.
O Bradesco BBI observou que o reabastecimento vem sendo sustentado tanto por estoques enxutos nas papeleiras quanto por uma curva de custos ainda elevada na China, o que favorece a importação de celulose. Essa combinação, na visão do banco, abriu espaço para os aumentos de setembro e para a tentativa de nova alta em outubro.
No Bank of America (BofA), o diagnóstico é que o reajuste anunciado pela Suzano reflete um aperto mais visível no equilíbrio de curto prazo. Os analistas citam a recomposição de estoques na Ásia, a melhora dos preços de revenda na China e a queda dos estoques em portos como Qingdao e Changshu como fatores que sustentam a capacidade de emplacar uma alta “mais ampla e maior” neste mês.
Apesar do tom mais otimista no curto prazo, as casas mantêm cautela no horizonte mais longo. O Bradesco BBI lembra que os fundamentos continuam desafiadores diante de um cronograma relevante de novos projetos – incluindo iniciativas integradas – que pode fazer a oferta incremental superar o crescimento da demanda. Além disso, a própria China impõe um limite: a recuperação do preço da celulose esbarra nas margens das papeleiras, já que os preços do papel não reagem na mesma intensidade e a demanda doméstica segue fraca, o que pode reabrir pressão adiante quando novas capacidades entrarem em operação.
Contato: talita.ferrari@estadao.com
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