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22 de setembro de 2026
Por Rayllanna Cardoso, especial para a Broadcast
Salvador, 21/9/2026 – O candidato do PL ao Senado da Bahia, João Roma, afirma que o rompimento entre ele e ACM Neto (União Brasil) nas eleições de 2022 favoreceu a permanência do PT no governo da Bahia. Em entrevista ao Broadcast Político nesta segunda-feira, 21, Roma diz que os dois antigos aliados concluíram que precisavam voltar a atuar no mesmo campo político para tentar encerrar o ciclo petista no Estado.
“O que tanto eu quanto ACM Neto enxergamos é que a nossa divisão favoreceu a permanência do PT no Estado da Bahia, e isso prejudicou demais a nossa população. Percebemos que era fundamental estarmos remando para o mesmo lado, somando forças”, declarou.
Ex-chefe de gabinete de ACM Neto na Prefeitura de Salvador, Roma rompeu com o então aliado antes das eleições de 2022 e concorreu ao governo baiano pelo PL. Recebeu 738.311 votos, equivalentes a 9,08% dos votos válidos, e terminou o primeiro turno na terceira colocação. Neto avançou para a segunda etapa da disputa, mas foi derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT).
“Há quatro anos, eu e ACM Neto estávamos separados. Foi um momento de muita dificuldade, mas quem mais sofreu com isso foi o povo baiano, que precisou amargar mais quatro anos desse período do PT no Estado”, diz Roma.
A retomada da aliança ocorre apesar das diferenças entre os projetos presidenciais defendidos pelos integrantes da chapa estadual. Roma apoia Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Neto está aliado ao governador de Goiás e candidato à Presidência Ronaldo Caiado (União Brasil).
O candidato ao Senado afirma que ainda não tratou especificamente com ACM Neto de um eventual segundo turno entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que não acredita em possível apoio de ACM Neto ao petista.
“Ele tem a relação pessoal dele com Caiado, mas não acredito que estará ao lado do PT no segundo turno”, diz. “Cada um de nós defende os seus projetos no âmbito federal, mas o que se vê com clareza é que todos torcem para que ACM Neto seja o próximo governador da Bahia.”
Impeachment de Moraes
O candidato ao Senado afirmou que apoiaria um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), caso seja eleito. Na entrevista, o ex-ministro da Cidadania disse que Moraes “extrapolou todos os limites” e que subscreveria um pedido de impedimento contra o magistrado.
“Alexandre de Moraes já tem de passar por um processo de impedimento, uma vez que desonrou suas obrigações de defender a Constituição”, diz. “Eu subscrevo o pedido, porque realmente ele já extrapolou todos os limites do que seria razoável.”
O candidato afirmou ainda que, em sua avaliação, Moraes deveria ter renunciado ao cargo e que pretende atuar para ampliar a segurança jurídica e reduzir os conflitos institucionais caso seja eleito.
“O que eu vejo como fundamental é tomar as providências necessárias que esse episódio demanda, mas também buscar serenar e restabelecer a segurança jurídica no Brasil, fazendo o Senado funcionar como uma célula de equilíbrio”, afirma.
Prioridades no Senado
Roma aponta o fortalecimento dos programas sociais, a atração de investimentos para a Bahia e a defesa das prerrogativas do Senado como os três principais eixos de um eventual mandato.
Na área de infraestrutura, critica a falta de duplicação de trechos da BR-101 na Bahia e cobra a continuidade de projetos como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul. O candidato compara a situação da rodovia no Estado com a de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde, segundo ele, a duplicação avançou mais.
“A Bahia ficou para trás em relação aos seus próprios vizinhos. A BR-101 é um caso gritante”, afirma. Roma também criticou a demora na recuperação da ponte sobre o Rio Jequitinhonha, no extremo sul baiano.
O ex-ministro diz que pretende usar a experiência acumulada no governo federal para destravar projetos e ampliar a presença da Bahia nas decisões nacionais. “Quero representar todos os baianos com uma voz marcante no Senado e fazer valer o peso da Bahia, que é o quarto maior colégio eleitoral do Brasil”, afirma.
Contato: rayllanna.cardoso@estadao.com
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