Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
2 de setembro de 2026
Por Cristina Canas
São Paulo, 02/09/2026 – O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou um Relatório que aponta a necessidade e os caminhos para que a comunidade global venha a promover um declínio da temperatura do planeta. O documento parte da premissa apresentada na COP26 de que, mesmo que os governos implantem na íntegra todos os planos climáticos daqui para a frente, a temperatura média da terra terá aumento de 1,8°C, ultrapassando o limite de 1,5°C estipulado pelo Acordo de Paris, em 2015.
“O mundo deve entrar em um caminho de ‘ultrapassagem, pico e declínio’ que mantenha o aumento da temperatura no nível mais baixo possível, depois o reduza até o final do século”, aponta o documento, recomendando que, paralelamente, ocorram ações de adaptação que reduzam a vulnerabilidade aos impactos atuais ou esperados das mudanças climáticas. “Isso de forma alguma é um caminho aceitável ou preferido; é simplesmente a melhor opção restante”, conclui.
A recomendação dos estudiosos do Pnuma é que seja evitada “cada fração adicional de grau de aquecimento global” e que o tempo de ultrapassagem seja o menor possível. De acordo com eles, isso diminui riscos e danos e aumenta as chances de trazer as temperaturas de volta aos níveis desejáveis, futuramente.
Em linha com o relatório, o secretário geral da ONU, António Guterres, ressalta que o calor do último verão, os incêndios florestais e as inundações cada vez mais fortes são um alerta do que está por vir. “Devemos fazer com que o aumento da temperatura acima de 1,5°C seja o menor e mais breve possível”, diz.
A duração e a severidade do caminho de ultrapassagem, pico e declínio, e a capacidade das comunidades de lidar com essa situação, segundo o documento da Pnuma, dependerão de quão rápido as emissões de carbono são cortadas. Também dependerão da rapidez com que as medidas de adaptação às novas temperaturas são implementadas.
“Reduções em metano e outros poluentes climáticos de vida curta são particularmente importantes no curto prazo, ao mesmo tempo que aumentar a capacidade adaptativa e de mitigação requer forte vontade política, ação multilateral urgente, políticas eficazes e financiamento”, aponta o estudo.
No que se refere à adaptação, os estudiosos da Pnuma ressaltam que é necessário antecipar riscos futuros, integrar novos conhecimentos, reduzir e se adaptar aos impactos climáticos antes que eles cheguem com força total. E ainda que as ações de adaptação devem considerar que os problemas ocorrerão de forma desigual entre regiões ou sistemas.
Já para a remoção de dióxido de carbono (CDR), apontam duas formas. A convencional inclui o reflorestamento e a restauração de ecossistemas. A nova, engloba bioenergia combinada com captura e armazenamento de carbono, e captura direta de carbono do ar e armazenamento.
De acordo com o documento, no entanto, o CDR só pode contribuir de forma importante para um retorno abaixo de 1,5°C dentro do século 21 se o aquecimento máximo permanecer abaixo de 2°C e todas as emissões remanescentes de CO2, metano e outros gases de efeito estufa forem reduzidas.
“Não há bons resultados se permanecermos acima de 1,5°C”, afirma Inger Andersen, Diretora Executiva do Pnuma. Para ela, a hora é de redobrar os esforços em prol da ação climática e “trilhar o caminho certo, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa, fortalecendo a resiliência e a capacidade de adaptação e garantindo que o aumento do aquecimento acima de 1,5°C seja o menor e mais breve possível”, diz.
Se fosse 1,5°C
O estudo da Pnuma ressalta que mesmo a elevação de 1,5°C não deve ser considerada segura e aceitável e ressalta impactos significativos dessa marca. Entre os mais perceptíveis, estão a elevação rápida do nível do mar, com consequências severas para as populações costeiras mundiais como necessidade de deslocamento e alteração nos meios de subsistência.
O Brasil, por exemplo, concentra 54,8% da sua população na faixa litorânea, segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE, parte dela economicamente ligada ao mar. Isso faz com que o País seja fortemente atingido pelas alterações decorrentes da elevação da temperatura. “Não há cenários benignos com aumento global de temperatura acima desse nível”, afirma o estudo.
Entre os demais riscos estão uma maior probabilidade de colapso de ecossistemas como recifes de coral, calor extremo e incêndios florestais mais frequentes. Ocorrem também as mudanças profundas na criosfera, que são camadas de gelo, gelo marinho, geleiras, permafrost e neve.
“As geleiras podem perder mais de um quarto de sua massa até 2100, o que pode elevar o nível do mar em 9 a 13 cm, considerando um aquecimento de até 3°C, e alterar permanentemente a disponibilidade de água em muitos lugares”, aponta o documento.
Além disso, a elevação da temperatura nos níveis que são hoje esperados aumenta o risco de pontos de inflexão irreversíveis para sistemas como as camadas de gelo da Antártica Ocidental e da Groenlândia, a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC) e a floresta Amazônica. O estudo alerta para questões de segurança alimentar e abastecimento e cita projeções segundo as quais poderá haver quedas de até 14% na produção global de alimentos até 2050, na ausência de adaptação eficaz às novas temperaturas.
Cita ainda as ondas de calor mais frequentes e intensas, relacionando as consequências: doenças relacionadas à nutrição, maiores riscos de transbordamento de patógenos, maiores riscos para cidades e infraestruturas.
Com a meta de 1,5°C ultrapassada, o documento frisa a importância das nações cumprirem os compromissos existentes, ao mesmo tempo em que deve haver uma mitigação e adaptação mais rápidas às mudanças climáticas.
Por fim, o estudo da Pnuma defende que os países com maior responsabilidade histórica pelas mudanças climáticas e capacidade de enfrentá-las devem agir com mais força e rapidez. Ao mesmo tempo avalia que os mais afetados pelas mudanças climáticas devem ser uma parte integral e respeitada do processo de tomada de decisão global.
“Como um caminho de excedente, pico e declínio pode se desenrolar ao longo de décadas a séculos, sujeito a muitas incógnitas, a discussão e os esforços iniciados por este relatório precisarão evoluir junto com o desafio”, encerra.
Veja também