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No RJ, STF e Master viram campo de disputa entre candidatos ao Senado

22 de setembro de 2026

Por Gabriel Gonçalves, especial para a Broadcast

São Paulo, 22/9/2026 – O Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master viraram terreno de disputa entre candidatos ao Senado pelo Rio nesta terça-feira, 22. Na sabatina do g1, Carlos Jordy (PL), Marcelo Crivella (Republicanos), Marcos Dias (Podemos) e Pedro Paulo (PSD) defenderam, em diferentes graus, mudanças no funcionamento da Corte e maior atuação do Senado sobre ministros. Depois, Benedita da Silva (PT) cobrou investigação ampla sobre o Master, enquanto Mônica Benício (PSOL) atacou Pedro Paulo por, segundo ela, se alinhar à direita.

A discussão ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master, que alcançaram também o entorno do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os elementos analisados pela Polícia Federal estão mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. As apurações também envolvem a Procuradoria-Geral da República (PGR) e provocaram divergências dentro da própria Corte.

Jordy adotou um tom semelhante ao de outros candidatos do PL ao concentrar as críticas no STF e não mencionar as acusações envolvendo Flávio Bolsonaro (PL). O candidato acusou ministros de se blindarem diante das investigações relacionadas ao Master. “O ministro Alexandre Moraes e outros ministros ligados ao governo Lula, a trupe do governo Lula, estão se blindando, impedindo que o ministro possa sequer ser investigado”, afirmou. Jordy disse ainda que o atual Senado “se acovardou” e defendeu impeachment de ministros, mandato fixo e o fim das decisões monocráticas.

Pedro Paulo, candidato do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), também afirmou, durante o debate, ser favorável ao impeachment em casos de desvio de conduta. “Sou a favor de impeachment de ministro do Supremo, com desvio de conduta de quem quer que seja, pode ser ministro do Supremo, pode ser presidente da República, principalmente aqueles que tiveram envolvimento com Daniel Vorcaro e Banco Master”, disse. O candidato, porém, defendeu uma reforma mais ampla, com mandato fixo ou aumento da idade mínima para ministros, redução de decisões monocráticas e código de ética.

A fala provocou reação de Mônica Benício. Em publicação no X, a candidata criticou o candidato do PSD após uma postagem destacar sua aproximação com posições defendidas por nomes da direita. “Tem gente pedindo ‘voto útil’ nele pra barrar a direita. E aí ele vai pro debate e se alinha à direita”, escreveu.

Marcos Dias, por sua vez, atribuiu parte do problema à polarização política e disse que o embate ideológico tem deixado “o campo das ideias e das soluções” em segundo plano. “O que nós temos visto hoje no Senado Federal, essa ausência de disposição de lutar contra a Suprema Corte, isso tem que ser revisto, não dá para continuar assim”, afirmou.

O candidato criticou ainda a interferência de ministros em decisões de outros Poderes e o que chamou de “ação entre amigos” no Supremo. “Ministro interferindo nas ações do Estado, ministro agindo contra ações de governabilidade, isso não pode acontecer. Essa ação entre amigos que acontece ali no Supremo, isso tem que acabar. Não pode continuar do jeito que está”, disse.

Após a sabatina, Benedita entrou na discussão por meio de um vídeo publicado no X e buscou deslocar o foco do debate sobre o Master para a necessidade de uma investigação ampla. “Essa questão do Banco Master tem que ser colocada transparência para que a população saiba como foi feito, quem foi feito, quem depositou e quem tem que ser investigado”, afirmou.

A petista defendeu que as apurações não se restrinjam a um campo político. “Não apenas investigar um lado ou outro, investiguem a todos. A lei é para todos. A lei não é apenas para um”, declarou.

Contato: gabriel.goncalves@estadao.com

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