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Economistas destacam continuidade do processo de desinflação apesar do IPCA-15 acima do esperado

26 de novembro de 2025

Por Fernanda Bompan, Anna Scabello, Daniel Tozzi, Gabriela Jucá, Gustavo Nicoletta e Maria Regina Silva

Rio e São Paulo, 26/11/2025 – A maioria dos economistas viu no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de novembro a continuidade do processo de desinflação, ainda que o indicador tenha ficado levemente acima das projeções. Para eles, a combinação de câmbio apreciado, alimentos comportados e queda em bens industriais garante um quadro “benigno”, mas a persistência da inflação de serviços – puxada por passagens aéreas, hospedagem e mão de obra – exige cautela e mantém o debate sobre quando o Banco Central começará a cortar a Selic, com apostas divididas entre janeiro e março.

O índice avançou 0,20% no mês, superando a mediana das estimativas (0,18%) e elevando o acumulado de 2025 para 4,15%. Em 12 meses, recuou de 4,94% para 4,50%, exatamente o teto da banda de tolerância da meta. Entre os núcleos calculados pelo mercado, a média passou de 0,22% para 0,27%, abaixo da expectativa de 0,29%. Houve queda nos preços administrados (-0,01%) e nos bens industriais (-0,06%), enquanto os serviços aceleraram de 0,37% para 0,66%.

“Embora a relativa postura conservadora das últimas comunicações do Copom descarte um corte na próxima reunião em dezembro, acreditamos que a queda da inflação (e das expectativas), o recente surto de dados fracos de atividade e a força do real fazem com que o Banco Central provavelmente inicie seu ciclo de afrouxamento em janeiro”, afirmou Jonathan Petersen, economista da Capital Economics. A leitura se apoia na desaceleração anual de 4,94% para 4,50% e na baixa de combustíveis (-0,46%) e alimentos consumidos em casa (-0,15%), que ajudaram a conter o índice cheio.

Alexandre Maluf, economista da XP Investimentos, concorda que “a desinflação no Brasil é muito relacionada a bens, ou seja, à apreciação da taxa de câmbio, ao cenário desinflacionário global e à parte de alimentos, que está muito benigna. Ao mesmo tempo, a inflação de serviços e o mercado de trabalho seguem em patamar bastante desafiador”. Ele lembra que as passagens aéreas subiram 11,87% e que a gasolina caiu apenas 0,48%, menos do que se esperava após o corte de preços da Petrobras.

Para André Valério, economista sênior do Inter, “mantemos a nossa expectativa de que o IPCA cheio continue desacelerando, o que faria com que a inflação encerrasse 2025 dentro do teto da meta de 4,50%”. O banco vê espaço para um primeiro corte de 0,25 ponto na Selic já em janeiro.

No ASA, Leonardo Costa classificou o saldo qualitativo como “benigno”. Segundo ele, “a inflação subjacente de serviços teve taxa modestamente menor que a nossa expectativa (?) e a inflação subjacente de bens industrializados foi surpresa baixista (efeito dos descontos das promoções de novembro)”. Entre os exemplos, destacou a surpresa de baixa em serviços veiculares e aluguel, além das promoções da Black Friday que derrubaram preços de eletroeletrônicos.

A Ativa também reforçou a visão de continuidade do alívio. “No fim das contas, o processo de desinflação, tanto do índice cheio quanto dos núcleos, está em linha com o previsto”, disse Étore Sanchez, economista-chefe da casa, que havia estimado 0,23%.

Há, porém, vozes mais cautelosas. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, alerta que “mesmo com a recente desaceleração da inflação, que vem sendo puxada pela queda do dólar, o cenário segue desafiador”, lembrando que os serviços subjacentes acumulam alta de 6,2% em 12 meses. A instituição aposta que o Copom só inicia o ciclo de baixa em março.

Na mesma linha, Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, observa que “quando falamos nas medidas subjacentes, elas não estão desacelerando, o que é um pouco mais preocupante. A atividade ainda está forte e o ganho salarial contribui para esse avanço”. Para ela, a desinflação atual “é via câmbio” e pode se reverter se o real perder força.

Carlos Lopes, economista do BV, faz contraponto otimista: “Qualitativamente é muito bom, já que mantém uma desinflação importante dos preços livres na margem, incluindo setor de serviços”. Na avaliação do banco, o dado mantém aberta a porta para corte já em janeiro, ainda que março continue sendo o cenário base.

Bradesco e Itaú corroboram o tom construtivo. O primeiro vê “viés baixista” para a projeção de IPCA de 4,5% em 2025, graças à “dinâmica benigna dos alimentos consumidos em casa”. O segundo sustenta que a leitura “não altera o balanço de riscos” nem o horizonte de inflação em 4,5% no ano que vem.

Contato: fernanda.bompan@estadao.com; anna.araia@estadao.com; daniel.mendes@estadao.com; gabriela.silva@estadao.com; gustavo.nicoletta@estadao.com; reginam.silva@estadao.com

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

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