Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

CBA/Algodão: Abrapa quer levar defesa das fibras naturais ao Parlamento Europeu

22 de setembro de 2026

Por Gabriel Azevedo*

Belo Horizonte, 22/09/2026 – A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) pretende levar ao Parlamento Europeu, no próximo mês, a defesa de maior espaço para as fibras naturais nas discussões sobre sustentabilidade da indústria têxtil, afirmou nesta terça-feira (22) o presidente da entidade, Gustavo Viganó Piccoli. A iniciativa ocorre enquanto a União Europeia avança na elaboração de regras ambientais para o setor. “No próximo mês, a gente vai participar e ter uma cadeira dentro da discussão do Parlamento Europeu para fazer o nosso lobby do produto natural”, disse Piccoli durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte.

A declaração veio após Piccoli ser questionado sobre uma possível janela de oportunidade para o algodão na China diante da competição com as fibras sintéticas. Segundo ele, o movimento de valorização das fibras naturais não se limita ao país asiático. “Esse movimento não é só na China. Ele acontece também na Europa”, afirmou. O presidente da Abrapa destacou a influência europeia sobre as tendências globais do vestuário ao dizer que “os grandes ditadores da moda no mundo são os europeus”.

Desde dezembro de 2024, a Abrapa e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) integram a coalizão internacional Make the Label Count. O grupo reúne mais de 80 organizações de vários países e defende mudanças na forma como o impacto ambiental de materiais têxteis é avaliado pela União Europeia.

Em 29 de junho, a coalizão enviou carta à Comissão Europeia pedindo que as futuras regras de ecodesign para o setor reconheçam materiais renováveis de origem sustentável e adotem critérios científicos e comparáveis na avaliação de diferentes fibras. Segundo a Abrapa, a entidade participa do diálogo com formuladores de políticas públicas europeus nessa agenda.

Piccoli relacionou a defesa das fibras naturais às preocupações ambientais e ao debate científico sobre microplásticos, mas ressaltou que os materiais sintéticos continuarão presentes na indústria. Questionado sobre a competição entre algodão e poliéster, disse não ter números recentes que permitam medir uma eventual mudança na escolha das matérias-primas. “A indústria não muda a matéria-prima de uma hora para a outra”, afirmou. “Hoje existem muitos tecidos, eu diria que a grande maioria, que têm um mix de fibras.”

A discussão interessa diretamente ao Brasil porque a maior parte do algodão produzido no País é vendida ao exterior. Segundo Piccoli, menos de 30% da fibra fica no mercado doméstico. A promoção internacional é feita pelo Cotton Brazil, iniciativa da Abrapa e da Anea com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com atuação principalmente nos grandes mercados consumidores da Ásia.

Para Piccoli, certificação, rastreabilidade e capacidade de fornecimento são ativos do algodão brasileiro na disputa por mercado. “Nosso algodão é certificado, é rastreável, é sustentável, tem qualidade. Então, nós estamos preparados para atender a demanda mundial e temos volume de produção”, afirmou.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

*O jornalista viaja a convite da Abrapa.

Veja também