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14 de setembro de 2026
Por Karla Spotorno, correspondente
Nova York, 14/09/2026 – O rali em empresas ligadas direta ou indiretamente à inteligência artificial (IA) perdeu tração diante de algumas preocupações do mercado entre junho e início de setembro. Segundo avaliação do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), dúvidas sobre o valuation das empresas e um possível investimento excessivo (overinvestment) em tecnologia acenderam sinal de alerta entre os investidores, que decidiram migrar para outros segmentos, como small caps americanas, ou mesmo outros mercados fora dos Estados Unidos. O tema da IA mereceu algumas páginas do relatório divulgado pelo BIS nesta segunda-feira.
“No fim de junho, o impulso positivo nas ações de tecnologia começou a vacilar à medida que os desafios macroeconômicos de um conflito prolongado no Irã pesaram sobre o sentimento. Isso foi agravado pela inquietação dos investidores sobre a lucratividade futura desses grandes investimentos em IA feitos por grandes empresas de tecnologia dos EUA ativas em computação em nuvem e centros de dados”, diz o relatório.
Por causa desses e de outros fatores, o BIS pontua que o investidor passou a exigir prêmios mais altos das empresas ligadas à IA. Outro ponto foi o aumento da alavancagem das companhias, com maior emissão de dívida e dúvidas sobre margens. Mesmo com o maior nervosismo com a IA e “o aumento de riscos idiossincráticos”, o relatório diz que a volatilidade agregada do mercado permaneceu contida.
“Em julho, o índice de dispersão – uma medida da diferença entre a volatilidade média de ações individuais e a volatilidade do índice – subiu para níveis vistos pela última vez em abril de 2025, enquanto o VIX [Índice de Volatilidade Cboe] aumentou apenas modestamente. Com o retorno do sentimento de tomada de risco em agosto, ambas as medidas diminuíram”, continua o relatório.
De forma geral, o relatório afirma que a demanda global por renda variável mostrou-se “amplamente resiliente aos desafios das tensões geopolíticas com a guerra contra o Irã e dos juros em alta”. As ações da zona do euro subiram de forma constante com apoio do “forte desempenho dos bancos”, segundo o estudo. Já os mercados de ações do Japão “mantiveram o impulso positivo na primeira parte do período de análise, mas reverteram seus ganhos com a piora do sentimento sobre a guerra e a disparada nos preços da energia”. As ações de mercados emergentes (EME) se beneficiaram nesse ambiente entre junho e início de setembro, “em parte apoiadas por influxos de capital e busca de diversificação”.
O mercado que não mostrou resiliência foi o coreano, como pontua o relatório. “As bolsas despencaram devido à sua maior exposição a empresas ligadas à IA, como semicondutores, e à turbulência em alguns veículos de investimento alavancados”, diz o relatório do BIS.
Crédito
Grandes empresas de tecnologia protagonizaram um volume forte de emissões em crédito privado no período analisado, contribuindo para a permanência de spreads comprimidos em termos históricos. Segundo o relatório, o investidor deu preferência a emissores “de qualidade, ou seja, com grau de investimento pelas agências de classificação de risco”, e houve uma desaceleração em segmentos mais arriscados, como o high yield e os leveraged loans.
Sem mencionar detalhes sobre o Brasil, o relatório relata que a compressão de spreads nas emissões corporativas foi vista também em mercados emergentes, como na Ásia e na América Latina.
Contato: karla.spotorno@estadao.com
Conteúdo produzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
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